Mortes por afogamento no Mediterrâneo subiram mais de 50% em meio ano
BR

14 julho 2021

Pelo menos 1,146 pessoas perderam a vida no primeiro semestre de 2021 tentando chegar à Europa pelo mar; Organização Internacional para Migrações destaca que número mais que dobrou, na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Entre janeiro e junho desde ano, pelo menos 1,146 pessoas morreram afogadas no Mar Mediterrâneo, enquanto faziam a travessia rumo à Europa.  

Ao divulgar os dados, nesta quarta-feira, a Organização Internacional para Migrações, OIM, destaca que o total de vítimas mais que dobrou, na comparação com o mesmo período de 2020. 

 

OIM pede mais apoio aos que tentam fazer travessia
OIM//Alexander Bee
OIM pede mais apoio aos que tentam fazer travessia

Busca e Resgate  

Segundo a OIM, o levantamento mostra a situação atual em algumas das rotas marítimas mais perigosas do mundo. No primeiro semestre do ano, houve ainda subida de 58% no total de migrantes que tentaram chegar à Europa pelo mar. 

O diretor-geral da agência pede aos países que “tomem, com urgência, medidas para proteger os migrantes e reduzir o número de fatalidades”. António Vitorino sugere que os governos que ampliem as tarefas de busca e de resgate, e garantam que essas pessoas tenham acesso a um processo de migração seguro e legal. 

A análise da OIM mostra que o aumento das mortes está relacionado com operações insuficientes de busca e regaste, tanto no Mediterrâneo quanto na rota do Atlântico para as Ilhas Canárias. 

Dois irmãos adolescentes da Gâmbia que viajaram sem os pais pelo mar Mediterrâneo caminham por uma praia na Itália.
© Unicef/Ashley Gilbertson
Dois irmãos adolescentes da Gâmbia que viajaram sem os pais pelo mar Mediterrâneo caminham por uma praia na Itália.

Ilhas Canárias  

A maioria das vítimas, 741 pessoas, morreram na rota do Mediterrâneo Central, enquanto 149 afogaram-se ao atravessar o Mediterrâneo Ocidental. No primeiro semestre, houve também 250 mortes de migrantes que tentavam chegar às Ilhas Canárias espanholas por meio da rota da África Ocidental/Atlântico.  

Mas a OIM destaca que esta contagem pode ser baixa. Várias ONGs reportaram casos “naufrágios invisíveis”, que são situações “extremamente difíceis de serem confirmadas”, mas que indicam que o total de mortes no Mediterrâneo pode ser muito maior.  

Muitos saem da África a caminho da Europa
SOS Méditerranée/Anthony Jean
Muitos saem da África a caminho da Europa

 

Caso  

Um exemplo aconteceu em março, quando o rapper nigeriano Sohail Al Sagheer, de 22 anos, desapareceu. Ele e mais nove amigos haviam deixado a Nigéria rumo à Espanha.  

A família iniciou então uma busca pelo jovem, em meio a rumores de que ele poderia ter sido vítima de um naufrágio na Espanha. Mas o corpo foi encontrado em abril, na costa da Argélia.   

 

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