Agências da ONU querem maior acesso para entrega de ajuda em Tigray 
BR

13 julho 2021

Acnur pede proteção de refugiados eritreus contra manipulação de partes em conflito na região etíope; PMA anuncia chegada de carregamento com 900 toneladas de víveres e outros artigos de emergência; Conselho de Direitos Humanos adotou resolução exigindo saída de tropas da Eritreia. 

O alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, disse estar extremamente preocupado com as condições dos refugiados eritreus que vivem na região de Tigray, nordeste da Etiópia. 

O chefe da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, destaca que estes se encontram no meio do conflito de oito meses entre forças federais e da Frente de Libertação do Povo Tigray.   

Violência 

Dois acampamentos destes refugiados foram completamente destruídos, obrigando dezenas de milhares de residentes a fugir para salvar suas vidas. Grandi pede o fim da violência e da intimidação de refugiados eritreus.  

O chefe da agência da ONU quer “não apenas que as partes cumpram suas obrigações legais internacionais, incluindo a proteção de civis, mas também parem de usar e manipular refugiados para ter ganhos políticos”. 

Agências humanitárias destacam que eritreus foram severamente afetados pela violência e insegurança na região etíope
Acnur/Hanna Qassis
Agências humanitárias destacam que eritreus foram severamente afetados pela violência e insegurança na região etíope

 

Ainda nesta terça-feira, o Conselho de Direitos Humanos exigiu o fim imediato de todas as violações na região etíope. Uma resolução adotada pelo órgão realça que as tropas da Eritreia se retirem rapidamente da região “de uma forma verificável”. 

Investigação  

A decisão do Conselho passou com 20 votos a favor, 13 abstenções e 14 contra, incluindo da Etiópia e Eritreia. O apelo às partes envolvidas é para que cessem os abusos de direitos humanos e do direito internacional humanitário. 

A resolução, proposta ao órgão de 47 membros pela União Europeia, também elogia o cessar-fogo unilateral declarado pelo Governo da Etiópia no mês passado e sua participação em uma investigação conjunta sobre a situação de Tigray. 

Refugiados eritreus na região de Tigray foram transferidos de seus acampamentos por razões de segurança.
Acnur/Hanna Qassis
Refugiados eritreus na região de Tigray foram transferidos de seus acampamentos por razões de segurança.

 

O Conselho expressa grande preocupação com os abusos generalizados relatados na região nos últimos meses, incluindo “assassinatos em massa de civis e atos de violência sexual desenfreada”. 

Alimentos 

O documento destaca de forma particular a denúncia da participação de tropas eritreias em graves abusos, incluindo violações do direito internacional, que vem “agravando o conflito”.    

De acordo com as Nações Unidas, 4 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar de emergência na região. O Programa Mundial de Alimentos, PMA, pediu o fim dos obstáculos para fazer chegar ajuda aos necessitados.  

Na segunda-feira, a agência despachou um comboio de 50 caminhões na capital de Tigray, Mekelle, com 900 toneladas de alimentos e outros suprimentos de emergência. 

 

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