Cresce apelo para reabertura de escolas em véspera de reunião de educação global
BR

13 julho 2021

Evento juntando representantes de governos será realizado esta terça-feira na sede das Nações Unidas; agências defendem que medida seja imediata e segura para evitar uma catástrofe; decisão deve ser após uma análise de risco e considerações em comunidades locais.

Agências das Nações Unidas pedem que políticos e governos priorizem a reabertura segura das escolas em todo o mundo, para evitar uma “catástrofe” nessa geração de estudantes.

Nesta terça-feira, a sede da organização acolhe a Reunião de Educação Global, que acontece às margens do Fórum Político de Alto Nível para o Desenvolvimento Sustentável de 2021. 

Escolas 

Especialistas do Brasil abordaram recentemente o assunto em um encontro que juntou as áreas de saúde e educação, gestão pública municipal, governo federal, sociedade civil, sindicatos, além de estudantes de escolas públicas.

Em vídeo, a representante da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, no Brasil, disse que o momento é para rever currículos. Marlova Noleto defende uma união esforços para compensar a perda de um ano e meio devido a ações para travar a pandemia.

“Nesse momento, é preciso que haja uma comunicação grande entre os serviços de saúde, a vigilância epidemiológica, a área educacional, os professores, as famílias e de toda a comunidade escolar para que juntos nós possamos planejar a reabertura segura das escolas. Nós sabemos também que os nossos alunos, muitas vezes, têm nas escolas a única refeição do dia e têm um ambiente de proteção e de cuidados.”

Em nível global, a Unesco emitiu um comunicado com o Fundo da ONU para a Infância, Unicef. A declaração realça que, passados 18 meses desde o início da Covid-19, a educação de milhões de crianças ainda está interrompida.”

Instalação do Unicef, na sede da ONU em Nova Iorque, alerta para fechamento de escolas em todo o mundo
Unicef/Chris Farber/Unicef via Getty Images
Instalação do Unicef, na sede da ONU em Nova Iorque, alerta para fechamento de escolas em todo o mundo

Frequência 

Escolas primárias e secundárias continuam fechadas em 19 países, afetando mais de 156 milhões de alunos. Para as duas agências, a situação não pode continuar. O comunicado realça que estes centros educacionais devem ser os últimos a fechar e os primeiros a reabrir”.

A declaração realça que houve esforços para limitar a transmissão, mas os governos fecham com muita frequência as escolas e as mantêm encerradas por períodos prolongados, mesmo quando a situação epidemiológica não o justifica.

O comunicado destaca que estas ações foram frequentemente tomadas como um primeiro recurso, e não como o último. Em “muitos casos, as escolas foram fechadas, enquanto os bares e restaurantes permaneceram abertos”.

Para a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, e a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, as perdas que crianças e jovens sofrerão por não frequentarem a escola podem nunca ser recuperadas.

Durante a pandemia, o ensino escolar foi interrompido em média 25 semanas por causa de fechamentos totais ou parciais
UNICEF
Durante a pandemia, o ensino escolar foi interrompido em média 25 semanas por causa de fechamentos totais ou parciais

Envolvimento 

Os efeitos variam desde perda de aprendizagem, sofrimento mental, exposição à violência e abuso, às refeições escolares e vacinações perdidas ou desenvolvimento reduzido de habilidades sociais. Eles serão sentidos no desempenho acadêmico e no envolvimento social infantil, bem como na saúde física e mental.

Ambas as agências apontam que crianças em ambientes com poucos recursos são geralmente as mais afetadas porque elas não têm acesso a ferramentas de aprendizagem remota. O outro grupo é dos mais novos, que ainda está em “estágios importantes de desenvolvimento”.

Fore e Azoulay defendem que perdas para os pais e encarregados são igualmente pesadas. Manter os filhos em casa obriga a deixar seus empregos, especialmente em países com nenhuma ou limitada política de licença familiar”.

A declaração aponta que estes fatores ditam que a reabertura de escolas para aprendizagem presencial não pode esperar.

Quase 24,5 milhões de meninos e meninas na Síria e 750 mil crianças sírias nos países vizinhos estão fora da escola
© Unicef/Khaled Akacha
Quase 24,5 milhões de meninos e meninas na Síria e 750 mil crianças sírias nos países vizinhos estão fora da escola

Transmissão

Para as chefes de agência não se pode esperar que os casos cheguem a zero. Elas apontam haver “provas claras de que as escolas primárias e secundárias não estão entre os principais fatores de transmissão.”

A declaração defende que o risco de transmissão nas escolas pode ser administrado com uma mitigação adequada das estratégias na maioria dos locais. A base para a decisão de abrir ou fechar escolas deve ser “uma análise de risco e considerações epidemiológicas nas comunidades” onde elas se encontram. 

Abordando a questão dos desafios de imunização associada à reabertura das escolas, o comunicado aponta que “não pode esperar que todos os professores e alunos sejam vacinados.”

O argumento é que com a falta global de vacinas que assola os países de baixa e média rendas, “a vacinação dos trabalhadores da linha de frente e dos que correm maior risco de doença grave e morte continuará sendo uma prioridade”.

Mais de 100 milhões de crianças cairão abaixo do nível mínimo de proficiência em leitura devido ao impacto do fechamento de escolas
UNICEF
Mais de 100 milhões de crianças cairão abaixo do nível mínimo de proficiência em leitura devido ao impacto do fechamento de escolas

Barreiras

As duas diretoras defendem que todas as escolas devem oferecer aprendizagem presencial o mais rápido possível, sem barreiras de acesso, incluindo a não- obrigatoriedade de vacinação antes do ingresso.
Elas acrescentaram que fechar escolas hipoteca o futuro em troca de benefícios imprecisos para o presente. A sugestão é que se definam melhor as prioridades reabrindo as escolas com segurança.
 

 

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