Unicef teme aumento de ataques na Nigéria após sequestro de 150 estudantes  BR

Umas das dezenas de meninas capturadas em 2014 em Chibok, na Nigéria, relatando experiências de dois anos de vida com grupos armados
Unicef/Nigeria
Umas das dezenas de meninas capturadas em 2014 em Chibok, na Nigéria, relatando experiências de dois anos de vida com grupos armados

Unicef teme aumento de ataques na Nigéria após sequestro de 150 estudantes 

Direitos humanos

Diretora-executiva da agência diz que grupos armados na África Central e Ocidental agem com mais violência antes da temporada de chuvas e enchentes; crianças de Burkina Fasso, Camarões, República Centro-Africana e República Democrática do Congo também estão sob risco. 

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, confirmou que 150 estudantes foram raptados numa escola, na segunda-feira, na Nigéria. A diretora-executiva da agência, Henrietta Fore, demonstrou preocupação com a possibilidade dos ataques deste tipo aumentarem na África Ocidental e na África Central. 

Segundo ela, os grupos armados geralmente seguem um padrão: são mais violentos antes da temporada de chuvas fortes, quando as enchentes acabam por limitar a locomoção de pessoas.  

Medo 

Fore destacou que esta situação tem sido vista em Burkina Fasso, Camarões, Níger, Nigéria, República Centro-Africana e República Democrática do Congo.  

Ataques a menores podem aumentar na África Ocidental e Central
Unicef/Juan Haro
Ataques a menores podem aumentar na África Ocidental e Central

 

Para ela, “com a maior frequência desses incidentes, aumenta o medo em relação à segurança e ao bem-estar das crianças da região.” Em Burkina Fasso, por exemplo, os ataques subiram de forma considerável nas últimas semanas, sendo que 178 civis morreram desde o começo de julho.  

Mais de 1,2 milhão de pessoas, 61% crianças, estão deslocados em Burkina Fasso devido à onda de violência. Nos Camarões, o Unicef avalia que 1 milhão de menores de idade precisam de proteção. No mês passado, um grupo armado invadiu um centro religioso e matou um menino de apenas 12 anos.  

Assassinatos e Raptos  

A agência da ONU também tem registrado alta nos abusos sexuais de meninas na República Centro-Africana. O total de crianças assassinadas no começo deste ano foi sete vezes maior aos números registrados nos últimos meses de 2020.  

Chefe do Unicef, Henrietta Fore.
Foto: ONU/Evan Schneider
Chefe do Unicef, Henrietta Fore.

 

O Unicef calcula que desde dezembro, pelo menos 950 estudantes tenham sido raptados na Nigéria por grupos armados. A maioria ainda não retornou para a casa.  

A violência também é constante na RD Congo, onde o Unicef registrou mais de 3,4 mil violações de abusos contra crianças, como recrutamento forçado por grupos armados, raptos e assassinatos. 

A diretora da agência da ONU diz que condenar esses crimes não é suficiente. Henrietta Fore pede ação para garantir que as crianças desses países africanos “tenham liberdade de viver, de ir para a escola ou até de buscar água, sem medo de sofrerem ataques violentos”.