Conselho de Direitos Humanos denuncia forças de segurança na Venezuela
BR

6 julho 2021

Restrições à liberdade de expressão e uso da força durante manifestações ocorridas este ano foram levados à reunião em Genebra; alta-comissária Michelle Bachelet afirma que crise piorou com pandemia; representante da Venezuela no encontro nações “desesperadas” fazendo “reivindicações intervencionistas”.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU concluiu nesta terça-feira um diálogo sobre a Venezuela. Durante o encontro, em Genebra, vários países participantes denunciaram que a população venezuelana continua sofrendo “restrições à liberdade de expressão”, com uso da força por parte das autoridades de segurança.

Organizações da Venezuela identificaram 23 manifestações que acabaram sendo dispersadas por policiais durante este ano. No encontro, entidades da sociedade civil expressaram “uma profunda preocupação com a deterioração sistemática dos direitos humanos” no país latino-americano. 

Crise enfrentada pela Venezuela foi agravada pela pandemia de Covid-19 e por sanções enfrentadas pelo país
© Unicef/Alejandra Pocaterra
Crise enfrentada pela Venezuela foi agravada pela pandemia de Covid-19 e por sanções enfrentadas pelo país

Efeitos da Pandemia

A alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos afirmou que continua preocupada com a crise enfrentada pela Venezuela, agravada pela pandemia de Covid-19 e por sanções enfrentadas pelo país. 

Michelle Bachelet lembrou que as vacinas contra a Covid-19 precisam ser vistas “como um bem global, com a distribuição justa sendo fator chave ao combate à pandemia”.

Ela mencionou que, desde setembro, o número de reclamações ligadas à polícia da Venezuela diminuiu e para Bachelet, “os esforços das autoridades para a reforma da Polícia precisam ser reconhecidos”. Apesar disso, Bachelet confirmou que “as alegações contra as forças de segurança continuam criando um efeito arrepiante”. 

Pacotes de alimentos preparados na Colômbia para distribuição em escolas na Venezuela.
PMA/Lorena Peña
Pacotes de alimentos preparados na Colômbia para distribuição em escolas na Venezuela.

Defesa

Entre junho de 2020 e maio deste ano, o Escritório da Alta Comissária registrou 97 incidentes ligados a defensores de direitos humanos na Venezuela. Segundo Bachelet, esses são “sinais do aumento da polarização e da diminuição do espaço cívico no país”. 

Representantes da Venezuela na reunião do Conselho de Direitos Humanos afirmaram que existem “nações que fazem reivindicações intervencionistas e que fingem falar em nome da comunidade internacional” para se defenderem dos relatos de violações dos direitos humanos e uso da força excessiva.

Na opinião da Venezuela, essas nações estariam “desesperadas para desestabilizar o país e tomam medidas repressoras unilaterais, que causam sofrimento ao povo venezuelano”. 

A Venezuela pediu que sua “soberania seja respeitada”. 
 

 

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