Malária foi a doença mais comum entre refugiados em 2020 BR

Danos psicológicos causados pela Covid-19 e a desnutrição aguda foram as outras principais ameaças à saúde da população refugiada
Meridith Kohut
Danos psicológicos causados pela Covid-19 e a desnutrição aguda foram as outras principais ameaças à saúde da população refugiada

Malária foi a doença mais comum entre refugiados em 2020

Migrantes e refugiados

Acnur diz que outros desafios foram os danos psicológicos da Covid-19 e a desnutrição que seguem ameaçando o bem-estar da população refugiada; agência da ONU atuou para conseguir testes de detecção do vírus em países como Líbano e Bangladesh.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, informou que o ano de 2020, marcado pela pandemia, revelou um outro grande desafio. A contaminação com a malária, a doença mais comum dentre a população refugiada, no ano passado.

Entre os refugiados que morreram nesse período, 20% foi vítima da malária. Para combater a doença, o Acnur contribuiu para garantir o acesso ao diagnóstico e tratamento e ajudar as comunidades a reduzir a exposição às picadas de mosquito, fornecendo inseticidas e redes mosquiteiras. 

Bebê é testado para malária no estado de Adamawa, na Nigéria
© Unicef/Andrew Esiebo
Bebê é testado para malária no estado de Adamawa, na Nigéria

Pandemia

Os danos psicológicos causados pela Covid-19 e a desnutrição aguda foram as outras principais ameaças à saúde da população refugiada, segundo o Acnur.

A agência atuou pela inclusão dos refugiados nos planos de resposta dos países contra a Covid-19, como no Líbano e em Bangladesh. 

Garantir equipamentos de proteção, aparelhos de oxigênio, testes que detectam o vírus e medicamentos também foram outras tarefas do Acnur em 2020, quando a agência também buscou garantir o acesso aos serviços de saúde mental.  

O diretor da Divisão de Resiliência e Soluções do Acnur disse que assim que os confinamentos acabaram e as restrições foram diminuindo, e a utilização dos serviços de saúde foi retomada. 

Criança com desnutrição sendo observada em Kalemie, na República Democrática do Congo
PMA/Arete/Fredrik Lerneryd
Criança com desnutrição sendo observada em Kalemie, na República Democrática do Congo

Nutrição

Sajjad Malik explicou que o Acnur também agiu para “reduzir as esperas nas clínicas,  para manter as comunidades de refugiados informadas e garantir os serviços de saúde materna e neonatal”. 

Em quase 160 acampamentos de refugiados em 19 países, foram registrados mais de 112 mil nascimentos. Mas muitas mulheres acabaram por morrer de complicações na gravidez ou no parto. A perda de crianças menores de cinco anos de idade continua preocupando o Acnur. 

A desnutrição severa é outro problema para a população refugiada. Em países como Chade e Ruanda, o Acnur forneceu, por telefone ou por rádio, aconselhamento sobre práticas de alimentação a bebês e crianças.

No ano passado, a agência da ONU ajudou a garantir o acesso a serviços de saúde em 50 países que juntos, abrigam um total de 16,5 milhões de refugiados. 

Segundo Malik, o financiamento continua sendo crucial para a resposta à pandemia e para garantir que os refugiados tenham acesso a todos os serviços de saúde física e mental.