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Guterres cita desequilíbrio de poder entre gêneros no Fórum Geração Igualdade, em Paris BR

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa em um pódio projetado em um telão durante o Fórum Geração Igualdade em Paris, em 2021.
ONU O secretário-geral António Guterres falando na abertura do Fórum Geração Igualdade em Paris.

Guterres cita desequilíbrio de poder entre gêneros no Fórum Geração Igualdade, em Paris

Direitos humanos

Secretário-geral discursou na abertura do evento, que reúne chefes de Estado e governo de todo o mundo, e é co-organizado por França e México; para chefe da ONU, existem softwares e algoritmos “tendenciosos contra as mulheres”; evento anunciou mais US$ 40 bilhões dedicados à promoção da igualdade de gênero no globo. 

A segunda e última parte do Fórum Geração Igualdade foi aberta nesta quarta-feira, em Paris, com um discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres. 

O evento reúne representantes de governos, feministas, jovens e ativistas de vários setores. A ex-secretária de Estado americana, Hillary Clinton, era uma das participantes ao lado de Melinda Gates, da Fundação Bill & Melinda Gates. 

Poder  

António Guterres disse que o encontro é uma boa oportunidade de união em torno de uma luta fundamental, tanto para homens como para mulheres. 

Uma mulher sorridente com o rosto pintado de roxo e uma camisa verde participa de um protesto, com outros manifestantes segurando cartazes ao fundo.
ONU Mulheres/Johis Alarcón Fórum também aspira reverter as desigualdades agravadas pela pandemia

 

Para ele, a igualdade de gênero é essencialmente uma questão de poder, “num mundo que ainda amplamente dominado pelos homens, com uma cultura ainda largamente patriarcal.” 

O chefe da ONU aposta em movimentos populares e novas alianças, além de mais recursos para reequilibrar as relações de poder no mundo com cinco prioridades: a igualdade de direitos, a paridade, o equilíbrio econômico, o combate à violência a mulheres e meninas e o diálogo entre gerações. 

Segundo ele, o mundo vive numa “sociedade cada vez mais digital com uma economia digital”. O grande perigo para a igualdade de gênero é por haver “uma esmagadora maioria de homens em profissões tecnológicas”. 

Softwares e algoritmos  

O impacto dessa presença majoritária masculina no setor é observado em softwares e algoritmos “tendenciosos contra as mulheres”. 

Na ocasião, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, lembrou que mulheres são um quarto de gerentes, parlamentares e participantes em negociações sobre o clima e a paz. Ela declarou que “um quarto não é suficiente” e “não é igualdade”. 

A vice-presidente Kamala Harris discursando no Fórum Geração Igualdade em Paris, com sua imagem exibida em um telão para a plateia.
Jonathan Sarago/Meae A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, também discursou no Fórum

 

A chefe da ONU Mulheres explicou que somente haverá equilíbrio quando houver metade dessa proporção, “onde homens e mulheres estejam juntos”.  

Mlambo-Ngcuka informou que mais de US$ 40 bilhões serão dedicados a essa causa “não apenas para mulheres e meninas, mas para todos.” 

Oportunidades  

O Fórum também aspira reverter as desigualdades agravadas pela pandemia e ajudar a acelerar as ações globais em favor da igualdade de gênero, da liderança e de oportunidades para mulheres e meninas em todo o mundo.  

O evento é inspirado na Declaração e Plataforma de Ação de Pequim que foi adotada em 1995 na 4ª Conferência Mundial sobre as Mulheres e termina nesta sexta-feira em Paris.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa em um painel de discussão com outros líderes masculinos no Fórum Geração Igualdade.
Jonathan Sarago/Meae Chefe da ONU disse apostar em movimentos populares e novas alianças