Angola pede a Conselho de Segurança para acabar com embargo de armas contra República Centro-Africana 
BR

23 junho 2021

Presidente de Angola, João Lourenço, discursou em encontro em Nova Iorque; segundo o chefe de Estado, fatores que justificaram o embargo em 2013 já não existem e governo centro-africano deve poder desenvolver suas Forças Armadas.  

O presidente de Angola, João Lourenço, pediu esta quarta-feira ao Conselho de Segurança que acabe com o embargo de armas à República Centro-Africana. 

O chefe de Estado, que preside a Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos, participou em um encontro do Conselho, em Nova Iorque, sobre a situação política no país africano.  

Embargo 

João Lourenço afirmou que o embargo, que impede o governo centro-africano de adquirir armamento desde 2013, foi aprovado “numa conjuntura em que era apropriado e necessário, bem diferente da atual.” 

Segundo ele, “passaram-se anos e o quadro mudou, não sendo realista considerar que as mesmas razões que justificaram tal medida no passado ainda prevaleçam.” 

O chefe de Estado angolano afirmou que o atual governo foi legitimado nas urnas, em dezembro, numa votação legítima, segundo a comunidade internacional.  

“Estaremos a passar uma mensagem errada se a comunidade internacional que está a trabalhar pelo desarmamento, desmobilização, reintegração e repatriamento dos integrantes de grupos armados for a mesma a impedir a construção de verdadeiras forças armadas a altura dos desafios do país e da conturbada região.”  

Comunidade internacional 

João Lourenço afirmou que “o apoio internacional é cada vez mais importante para contribuir para os esforços pendentes para garantir a paz e a estabilidade” no país e descreveu os esforços de Angola nesta área.  

Em 29 de janeiro, o governo angolano acolheu, em Luanda, uma cimeira sobre a situação política e de segurança no país, com representantes do Congo, Chade, Ruanda, Sudão e outras organizações internacionais. 

Soldados de paz pefilados em formatura de guarda de honra na base da Minusca em Bangui, na República Centro-Africana
Minusca/Leonel Grothe
Soldados de paz pefilados em formatura de guarda de honra na base da Minusca em Bangui, na República Centro-Africana

Numa segunda cimeira, em abril, chefes de Estado e Governo pediram aos grupos armados que evitassem ações que colocam em risco o cessar-fogo e pediram apoio da comunidade internacional para revitalizar o acordo político.  

Situação humanitária 

Durante o encontro desta quarta-feira, os Estados-membros discutiram o relatório mais recente do secretário-geral, António Guterres, sobre o país.  

Na sessão desta quarta-feira também discursarão o representante especial e chefe da Minusca, Mankeur Ndiaye, o comissário da União Africana para os Assuntos Políticos, Paz e Segurança, Bankole Adeoye.  

Com a atual crise humanitária,  2,8 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária e proteção.  

Este mês, um relatório da ONU chamou a atenção para “o sistema de saúde que mal funciona”, uma situação agravada pela pandemia.   

Acompanhe neste link, o discurso na íntegra em português. 

 

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