OMS quer redução das taxas de suicídio em pelo menos um terço até 2030 
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17 junho 2021

Em 2019, mais de 700 mil pessoas morreram desta forma; o número ultrapassa óbitos por HIV, malária, câncer de mama, guerras e homicídios; suicídio é a causa de uma em cada 100 mortes no globo; agência da ONU pede a jornalistas que neutralizem relatos para evitar novos casos motivados pela informação. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, afirma que o suicídio continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo. 

Em 2019, mais de 700 mil pessoas perderam a vida desta forma, uma em cada 100 mortes.  

Importância 

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que não se pode, nem se deve, ignorar este problema. 

Tedros Ghebreyesus disse que a incapacidade do mundo em fornecer vacinas aos países pobres é “um fracasso global”
OMS/Christopher Black
Tedros Ghebreyesus disse que a incapacidade do mundo em fornecer vacinas aos países pobres é “um fracasso global”

Todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária, câncer de mama, guerras e homicídios. 

Segundo Tedros, “a atenção à prevenção do suicídio é ainda mais importante agora, depois de muitos meses convivendo com a pandemia e muitos dos fatores de risco, como perda de emprego, estresse financeiro e isolamento social, ainda muito presentes.” 

Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a quarta causa de morte depois de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal. 

Esforços 

Atualmente, apenas 38 países têm uma estratégia nacional de prevenção para esta área. A OMS diz que é necessária uma aceleração significativa para cumprir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de redução de um terço nas taxas globais até 2030. 

A agência lançou uma nova orientação abrangente com ação em quatro áreas: meios de suicídio, educação dos mídia, capacidades socioemocionais para adolescentes e, por fim, identificação precoce, avaliação, gestão e acompanhamento de qualquer pessoa afetada. 

Sobre proibição dos pesticidas mais perigosos, a OMS estima que este tipo de envenenamento causa 20% de todos os suicídios. 

Outras medidas incluem restringir o acesso a armas de fogo, reduzir o tamanho das embalagens de medicamentos e instalar barreiras nos locais de salto. 

Jornalistas 

Sobre o papel que a mídia desempenha, a agência lembra que relatos podem levar a um aumento devido à imitação, especialmente se forem sobre uma celebridade ou descreverem o método usado. 

O novo guia sugere que os jornalistas neutralizem estes relatos com histórias de recuperação bem-sucedida. 

Os dados de 2019 mostram que as taxas variam entre países, regiões e entre gênero. 

Mais de duas vezes mais homens morrem desta forma que mulheres, 12,6 por 100 mil homens em comparação com 5,4 por 100 mil mulheres. 

As taxas entre homens são geralmente mais altas em países de alta renda, onde chegam a 16,5 por 100 mil. Para mulheres, a maioria ocorre em países de renda média-baixa, cerca de 7,1 por 100 mil. 

Américas e Mediterrâneo 

Na África são 11,2 por 100 mil, na Europa,10,5 por 100 mil, e no Sudeste Asiático, 10,2 por 100 mil, eram maiores do que a média global, cerca de 9 por 100 mil. O índice mais baixo de suicídio está região do Mediterrâneo Oriental, 6,4 por 100 mil. 

Globalmente, a ocorrência do problema diminuindo, mas está subindo nas Américas.  

Apesar de queda de 36% entre 2000 e 2019, nas Américas, a subida foi de 17% no mesmo período. 

A adolescência é um período importante para a aquisição de capacidades socioemocionais, principalmente porque metade dos problemas de saúde mental aparecem antes dos 14 anos.  

Em Villanueva, nas Honduras, Darwin na sala de aula que partilhava com o amigo Henry, que cometeu suícidio depois de ser vítima de bullying.
Unicef/Adriana Zehbrauskas
Em Villanueva, nas Honduras, Darwin na sala de aula que partilhava com o amigo Henry, que cometeu suícidio depois de ser vítima de bullying.

Saúde mental 

A orientação da OMS incentiva promoção da saúde mental e programas anti-bullying, com ligações claras para serviços de apoio e protocolos para pessoas que trabalham em escolas e universidades. 

Por fim, sobre identificação precoce e acompanhamento de pessoas em risco, a agência lembra que uma tentativa anterior de suicídio é um dos fatores de risco mais importantes. 

Os profissionais de saúde devem ser treinados nesta área. Grupos de sobreviventes podem complementar esse apoio.  

Os serviços de emergência também devem estar disponíveis para dar apoio imediato aos indivíduos em situação aguda. 

A nova orientação inclui exemplos de países como Austrália, Gana, Guiana, Índia, Iraque, Coreia do Sul, Suécia e Estados Unidos e pode ser usada por qualquer pessoa que esteja interessado, seja em nível nacional ou local, e nos setores governamentais e não-governamentais. 

Para a especialista em prevenção de suicídio da OMS, Alexandra Fleischmann, “embora uma estratégia nacional abrangente de prevenção deva ser o objetivo final de todos os governos, iniciar a prevenção com estas intervenções pode salvar vidas e prevenir a tristeza daqueles que ficaram para trás.” 

 

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