Coordenador humanitário da ONU cita crise em Moçambique ao deixar o cargo  
BR

16 junho 2021

Mark Lowcock falou à ONU News sobre assistência humanitária no mundo, defendeu melhor cooperação global para acabar com sofrimento gerado por conflitos na África, na Venezuela, países árabes e outras regiões, e citou clima e pandemia entre maiores desafios atuais.

Uma maior colaboração internacional para conter conflitos, alterações do clima e doenças ajudaria a reduzir o crescente número de pessoas precisando de auxílio humanitário. 

As declarações foram feitas pelo coordenador humanitário Mark Lowcock em entrevista de despedida à ONU News, onde mencionou a crise em Cabo Delgado, Moçambique, que começou em 2017. O subsecretário-geral será substituído pelo diplomata britânico, Martin Griffiths. 

Crises recentes 

Lowcock realçou a expansão do conflito em muitos lugares como um grande desafio. Ele apontou o fracasso em se resolver questões de longa data como a Síria e o Iêmen, e o surgimento de crises em Moçambique, Etiópia e outros lugares.  

Mulher e seu bebê que fugiram de sua casa no norte de Moçambique em novembro e vivem em um campo de deslocados.
Acnur//Juliana Ghazi
Mulher e seu bebê que fugiram de sua casa no norte de Moçambique em novembro e vivem em um campo de deslocados.

 

Em 2021, o conflito armado, no norte de Moçambique, se agravou levando ao aumento de 325% no número de deslocados internos pela violência. Atualmente existem mais de 732 mil desalojados, se comparados ao final de abril de 2020.  

O ataque à cidade de Palma, em 24 de março, e confrontos no distrito forçaram quase 68 mil pessoas a fugir para áreas mais seguras. Pelo menos 30% dos deslocados da região tiveram que fugir várias vezes. 

Em segundo lugar, o chefe humanitário apontou como desafios do mandato de quatro anos os impactos crescentes das mudanças climáticas, um fenômeno que se destaca como uma grande causa de sofrimento em todo o mundo. 

Proteção 

Por último, ele mencionou a pandemia e “um crescimento a níveis sem precedentes no número de pessoas que precisam de proteção e assistência” pelo mundo. 

Uma campanha de conscientização pública da pandemia de Covid-19 ocorre na capital do Chade, N’Djamena
© Unicef/Martina Palazzo
Uma campanha de conscientização pública da pandemia de Covid-19 ocorre na capital do Chade, N’Djamena

 

Lowcock ressalta situações de conflitos recentes desde a pandemia como: Nagorno-Karabakh, lugares em Moçambique e na Etiópia. Ele aponta que estas crises são “resultado de interesses malignos aproveitando um momento em que o resto do mundo está focado em um grande problema e visando objetivos indesejáveis e prejudiciais.” 

Mas para o coordenador humanitário, até certo ponto, o mundo vive problemas que desviam a atenção da atenção humanitária dada antes. Os exemplos disso são enchentes, desastres naturais, secas e conflitos locais. 

Venezuelanos 

Uma das mais recentes medidas de Lowcock no cargo foi apoiar 12 crises negligenciadas com US$ 135 milhões para impulsionar as operações na África, nas Américas e no Oriente Médio. 

Além de Moçambique, outro dos beneficiários do Fundo Central de Resposta a Emergências, Cerf,  foi a Venezuela, com US$7 milhões. A crise provocou a maior migração da história recente da América Latina ao desalojar mais de 4,5 milhões.  

Refugiados e migrantes venezuelanos em Manaus, norte do Brasil.
© Acnur/Felipe Irnaldo
Refugiados e migrantes venezuelanos em Manaus, norte do Brasil.

 

Lowcock disse esperar que os venezuelanos, com ajuda externa, possam encontrar um caminho melhor para desenvolver seu país, resolver suas diferenças e dar às pessoas uma esperança realista de que a vida pode melhorar no futuro de uma forma a se retomarem todas as esperanças interrompidas na última década. 

Nas Américas, as tempestades do Caribe também têm despertado a atenção da ONU pelo alto grau de vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.  

Devastação 

A Organização Pan-Americana da Saúde pediu alerta às autoridades regionais em preparação da temporada de furacões de 2021 “mais crítica do que o normal”, pela pandemia de coronavírus e pela possível devastação por ventos fortes e enchentes. 

Lowcock disse que os países da região precisam continuar na jornada, ainda incompleta, para melhorar sua resiliência e preparação além de seguir aprimorando a capacidade de resposta a esses eventos. Ele apontou as previsões de maior aquecimento e eventos climáticos adversos futuros em todo o planeta.  

Lowcok disse que mesmo com o sucesso da Conferência das Partes sobre Mudança do Clima em Glasgow, em novembro, devem ocorrer inúmeros episódios extremos no mundo para os quais será preciso rapidez na preparação para lidar com eles. 

Lowcock disse que situações de conflitos recentes como em Moçambique ocorrem quando o resto do mundo está focado na pandemia
Unicef/ Wikus de Wet
Lowcock disse que situações de conflitos recentes como em Moçambique ocorrem quando o resto do mundo está focado na pandemia

 

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