Enviado diz ao Conselho de Segurança que Iêmen é "história de oportunidades perdidas” 
BR

16 junho 2021

Martin Griffiths lembrou que partes em conflito no país árabe ainda não resolveram diferenças para acabar com a pior crise humanitária do mundo; com mais de 60 mortos, maio foi o mês mais sangrento em 2021.

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, disse ao Conselho de Segurança que as partes em conflito no país ainda não conseguiram superar suas diferenças, frustrando as esperanças de paz.  

Esse foi o último briefing no posto, que assumiu em 2018. Griffiths será agora subsecretário-geral para Assuntos Humanitários, sucedendo a Mark Lowcock.  

Esforços 

Nos últimos três anos, Griffiths intermediou esforços para acabar com o conflito  entre as forças do governo iemenita, apoiadas pela Arábia Saudita, e o movimento Ansar Allah, também conhecido como houthis. 

Porto de Hodeida, por onde entra muita da assistência alimentar necessária para quase 12 milhões de pessoas
© Unicef
Porto de Hodeida, por onde entra muita da assistência alimentar necessária para quase 12 milhões de pessoas

Ele descreveu o Iêmen como "uma história de oportunidades perdidas”.  

O enviado informou que o movimento Ansar Allah insistiu num acordo autônomo para os portos de Hodeida e o aeroporto de Sanaa, a capital do país, como uma pré-condição para as negociações de um cessar-fogo nacional e o lançamento do processo político. 

Mas o governo iemenita quer que essas questões sejam acordadas e implementadas como um todo, com foco no cessar-fogo. 

Griffiths disse que ofereceu “soluções diferentes para unir essas posições”, mas que “até o momento, nenhuma delas foi aceita.” 

Segurança 

Para o enviado, o cessar-fogo “teria um valor humanitário inegável”, pois abriria estradas vitais e criaria uma sensação de segurança para os cidadãos. 

O fechamento contínuo do aeroporto de Sanaa e as extensas restrições de combustível nos portos de Hodeida “são injustificáveis ​​e devem ser resolvidas com urgência.” 

Enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths.
Foto ONU/ Manuel Elias
Enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths.

Griffiths lembrou que o Iêmen continua sendo a pior crise humanitária do mundo.  

Segundo ele, “homens, mulheres e crianças sofrem todos os dias porque as pessoas com poder perderam as oportunidades que tiveram para fazer as concessões necessárias para acabar com a guerra.” 

Como resultado, ele disse que os iemenitas “são obrigados a viver sob a violência, a insegurança e o medo, com limites à sua liberdade de movimento e de expressão.” 

Segundo ele, o mais trágico é ver “as esperanças e aspirações de uma geração de jovens iemenitas por um futuro de paz sendo destruído.” 

Vítimas 

O atual subsecretário-geral para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, também falou ao Conselho de Segurança, informando que, em média, pelo menos cinco civis são mortos ou feridos no Iêmen a cada dia.  

Uma família no campo de Al Dhale'e para pessoas deslocadas pelo conflito no Iêmen
Ocha/Mahmoud Fadel
Uma família no campo de Al Dhale'e para pessoas deslocadas pelo conflito no Iêmen

Maio foi o mais sangrento deste ano com mais de 60 mortos pelo país. 

As agências de ajuda humanitária chegam a mais de 10 milhões de pessoas todos os meses, mas ainda enfrentam muitos obstáculos, principalmente em áreas sob controle houthi. 

Lowcock lembrou que, em 2017, ele apelou por cinco medidas para ajudar o Iêmen: parar a guerra, melhor proteção para os civis, maior acesso para trabalhadores humanitários, mais financiamento e mais apoio à economia. 

Segundo ele, quase quatro anos depois, essas ainda são as coisas que a agência pede todos os meses.  

Ele terminou afirmando que “a guerra não resolveu nada” e, por isso, se deve “dar uma chance à paz." 

 

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