Bachelet diz que Mianmar corre risco de banho de sangue e mais sofrimento 
BR

11 junho 2021

Relatos indicam pelo menos 860 mortos por forças de segurança desde 1º de fevereiro, principalmente em protestos; alta comissária para os Direitos Humanos atribui responsabilidade à líderes militares do país do sudeste asiático. 

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, alertou esta sexta-feira para uma nova escalada da violência em Mianmar, a antiga Birmânia. 

Segundo ela, a violência deve acabar para evitar perdas ainda maiores de vidas e um agravamento da emergência humanitária.  

Violência 

Em comunicado, a alta comissaria diz que “a violência é particularmente intensa em áreas com grupos minoritários étnicos e religiosos significativos.” 

A alta comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que culpa da crise é dos militares
Foto: ONU/Violaine Martin
A alta comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que culpa da crise é dos militares

Segundo ela, “as forças de segurança do Estado continuaram a usar armamento pesado, incluindo ataques aéreos a grupos armados, civis e alvos civis incluindo igrejas cristãs.” 

Para Bachelet, “parece não haver esforços para diminuir a escalada, mas sim um aumento de tropas em áreas-chave, ao contrário dos compromissos que os militares assumiram” com a Associação das Nações do Sudeste Asiático, Asean, para cessar a violência. 

Relatos 

Relatos ​​indicam que as forças de segurança usaram civis como escudos humanos, bombardearam casas de civis e igrejas em Loikaw, Phekon e Demoso, no estado de Kayah, e bloquearam o acesso humanitário, inclusive atacando agentes humanitários. 

Mais de 108 mil pessoas fugiram de suas casas em Kayah nas últimas três semanas, muitas para áreas florestais com pouca ou nenhuma comida, água, saneamento ou atendimento médico.  

Bachelet afirmou que “os militares de Mianmar, o Tatmadaw, têm o dever de proteger os civis.” 

Para ela, “a comunidade internacional precisa se unificar em sua exigência de que o Tatmadaw cesse o uso ultrajante de artilharia pesada contra civis e objetos civis e respeite o princípio da distinção.”  

Além disso, as recém-formadas “forças de defesa do povo” e outros grupos armados devem tomar todas as medidas possíveis para proteger os civis. 

A alta comissária apelou para que hospitais, escolas e locais de culto fossem protegidos em todo o país. O Escritório recebeu relatos ​​de vários incidentes nos quais hospitais, escolas e instituições religiosas foram invadidas e ocupadas pelo Tatmadaw.  

Educação 

 Milhares de professores se recusaram a voltar ao trabalho ou foram suspensos de seus empregos pelas autoridades militares. Como resultado, a grande maioria das crianças não terá acesso ao seu direito à educação. 

O Escritório diz que pelo menos 860 pessoas foram mortas pelas forças de segurança desde 1º de fevereiro, principalmente durante protestos. 

Ao mesmo tempo, prisões de ativistas, jornalistas e opositores do regime continuaram em todo o país, com fontes ​​indicando que pelo menos 4.804 pessoas permanecem em detenção arbitrária. 

A alta comissária está profundamente preocupada com relatos de torturas e de punição coletiva de familiares de ativistas. A mãe de um ativista foi condenada a três anos de prisão em lugar do filho.  

Manifestação contra o golpe militar de Mianmar em frente à Casa Branca em Washington, DC, Estados Unidos
Unsplash/Gayatri Malhotra
Manifestação contra o golpe militar de Mianmar em frente à Casa Branca em Washington, DC, Estados Unidos

Diálogo 

Segundo Bachelet, em vez de buscar o diálogo, “os militares estão rotulando seus opositores de ‘terroristas’ e perseguindo acusações de motivação política contra a liderança democrática.” 

Ela encorajou a intensificação da diplomacia regional, incluindo pela Asean e outros Estados influentes. Bachelet disse que é urgentemente necessário diálogo com o Governo de Unidade Nacional e as partes interessadas da sociedade civil. 

Segundo ela, em pouco mais de quatro meses, “Mianmar deixou de ser uma democracia frágil para se tornar uma catástrofe dos direitos humanos.”  

A alta comissária disse que “a liderança militar é a única responsável por esta crise e deve ser responsabilizada.” 

Bachelet fará uma apresentação sobre o tema ao Conselho de Direitos Humanos no dia 7 de julho. 

 

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