Novo comandante da Missão da ONU na RD Congo quer reforçar pacificação
BR

11 junho 2021

General Marcos de Sá Affonso da Costa já foi boina-azul em Angola e atuou com Exército Brasileiro no Peru e na França; em entrevista à ONU News, ele disse que pretende ampliar pelotão das selvas e o número de mulheres militares no país africano.

O novo chefe militar da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo aposta na completa pacificação do país. 

Marcos de Sá Affonso da Costa afirma que várias partes da RD Congo já não representam mais riscos, o que levou a ONU a se concentrar em pontos mais específicos no leste da nação africana.

Ofensivas 

Formado pela Academia Militar das Agulhas Negras, no Brasil, o general assume o posto substituindo um outro comandante brasileiro, o general Costa Neves.

Com cerca de 14 mil militares de 50 países, as tropas de paz da ONU na RD Congo, Monusco, têm desafios como grupos insurgentes e armados. 

Um dos mais conhecidos é a ADF, que em fevereiro realizou novas ofensivas com várias mortes em Ituri, no Kivu Norte e Kivu do Sul. No início deste mês pelo menos 57 pessoas foram assassinadas em Ituri.

Nesta primeira entrevista à ONU News, no fim de abril e antes de chegar à RD Congo, o general Affonso da Costa falou sobre sua expectativa no posto.

“A minha expectativa é a melhor possível. Eu vou procurar como quem chega de fora, assumindo o comando, procurar perseguir naquele caminho de sucesso e êxitos que têm acontecido nessa Missão ao longo do tempo. Um trabalho muito sério feito pelos meus antecessores e por todos aqueles contingentes que já passaram por lá. É claro que aquilo é um trabalho de equipe. E os militares da Força Militar, a meu ver, ela é um sustentáculo para as decisões políticas que têm que ser tomadas nos seus devidos foros, nos seus devidos momentos. Então a nossa representante especial do secretário-geral (Bintou Keita), ela vai dar direção política para o meu trabalho. É claro a Força Militar tem um papel muito relevante para cumprir. Criar um ambiente de segurança para que os congoleses possam voltar à normalidade, possam prosseguir no desenvolvimento de seu país, a comunidade internacional, os países do entorno, ou seja que a segurança internacional, esse bem maior que a ONU zela por ele, possa ser realmente alcançada naquela região tão importante da África e do mundo.”

No início deste mês pelo menos 57 pessoas foram assassinadas em Ituri
Monusco
No início deste mês pelo menos 57 pessoas foram assassinadas em Ituri

Família

Marcos de Sá Affonso da Costa é bacharel em Administração e realizou estudos de defesa nacional em Paris, na França. 

Na entrevista, ele contou que é filho de um boina-azul que serviu na Força de Emergência das Nações Unidas no Canal de Suez, nos anos 60.

O interesse pelas operações de paz nasceu na família após ouvir as histórias do pai. Entre 1996 e 1997, o general Affonso da Costa foi servir à ONU na Missão de Verificação em Angola, Unavem-3.

O general, desde cedo se dedicou a estudar idiomas, o que lhe facilitou trabalhos militares na França e nos Estados Unidos.

O novo comandante da Monusco quer aumentar a presença de militares brasileiros nos treinamentos de selva no país africano. Um programa que já existe há alguns anos e que tem despertado o interesse dos militares congoleses.

Uma outra proposta do general Affonso da Costa na RD Congo é promover mais participação de mulheres nas forças de paz
Monusco/Kevin Jordan
Uma outra proposta do general Affonso da Costa na RD Congo é promover mais participação de mulheres nas forças de paz

Brigada de Intervenção

“Nós no Brasil, temos uma expertise bastante grande pelo nosso território, né?  Metade no nosso território está na faixa equatorial, a Floresta Amazônica. E a gente tem um Centro de Instrução, que tem mais de 50 anos, e que é reconhecido internacionalmente, no meio militar, como um local realmente de um treinamento de alto nível para tropas para combate no interior da selva. E recebemos estrangeiros aqui no Brasil então um pouco dessa expertise está sendo levada para lá. Não só para as Força Armadas da RDC, mas também para as nossas tropas, o nosso contingente, particularmente a brigada de intervenção, que está se valendo dessas experiências. Então é um ganha-ganha. Acredito que esta missão deve continuar e no que for possível, se depender de mim, será ampliada.”

Uma outra proposta do general Affonso da Costa na RD Congo é promover mais participação de mulheres nas forças de paz. Uma iniciativa, que segundo ele, ajudou a construir em casa, no Exército do Brasil.

O general contou que em julho, as Forças Armadas devem fazer uma nova certificação de tropas brasileiras para o sistema de prontidão da ONU incluindo um pelotão de engajamento só de mulheres. 

Sargentos e tenentes mulheres da linha combatente ficarão a postos para participar de missões da ONU e estarem em contato direto com a população que emerge de situações de conflito.
 

 

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