Especialistas em direitos humanos pedem paz após campanha violenta no México
BR

9 junho 2021

Comunicado emitido em Genebra e Washington foi apoiado pela Organização dos Estados Americanos, OEA; pelo menos 250 pessoas foram assassinadas incluindo 89 políticos, 35 candidatos, familiares, jornalistas e funcionários públicos sem associação com política.

Um grupo de relatores de direitos humanos* e integrantes da Organização dos Estados Americanos, OEA, pediram às autoridades do México que assegurem que o período após as eleições no país será pacífico.

Num comunicado, eles requerem ainda que os assassinatos e violações de direitos humanos sejam identificados e punidos.

A campanha mexicana deste ano registrou um nível de violência sem precedentes, incluindo violência sexual, a mulheres e jornalistas
ONU Mexico/Alexis Aubin
A campanha mexicana deste ano registrou um nível de violência sem precedentes, incluindo violência sexual, a mulheres e jornalistas

Familiares

Pelo menos 250 pessoas foram assassinadas desde setembro de 2020. Entre as vítimas fatais estão 89 políticos e 35 candidatos. Vários familiares de políticos, jornalistas e funcionários públicos não associados à política também foram mortos.

Os relatores pediram ao México que acabe com a polarização na vida pública e garanta que as futuras eleições sejam realizadas de forma pacífica. O grupo lembrou que esta é a única maneira de o México avançar politicamente.

No documento, os especialistas afirmam que apesar da violência durante o longo período eleitoral, o governo se esforçou para conter as ameaças a candidatos.

Duas mulheres em uma estação de metrô na Cidade do México
ONU Mexico/Alexis Aubin
Duas mulheres em uma estação de metrô na Cidade do México

500 assentos no Congresso

Nas eleições de domingo, as maiores da história do México, foram disputadas mais de 20 mil vagas. Os eleitores escolheram 500 membros da câmara baixa do Congresso mexicano, 15 governadores de estados assim como milhares de funcionários locais.

Os especialistas ressaltaram que houve 782 ataques durante a campanha eleitoral por motivos puramente políticos. Muitos candidatos abandonaram a corrida com medo.
No documento, os relatores dizem que não esperavam mais assistir aos níveis assombrosos de violência registrados nas eleições de 2018, mas o processo que culminou na votação de domingo foi pior.

Os especialistas ressaltaram que houve 782 ataques durante a campanha eleitoral por motivos puramente políticos
Unicef/Adriana Zehbrauskas
Os especialistas ressaltaram que houve 782 ataques durante a campanha eleitoral por motivos puramente políticos

Violência a mulheres e indígenas

Eles disseram que o direito à vida é fundamental e os candidatos precisam poder competir sem receios.

Para eles, o México também tem que respeitar, proteger e cumprir os direitos à liberdade de reunião e participação no processo político incluindo o direito do eleito de eleger seu candidato numa votação.

Uma outra preocupação foram os padrões discriminatórios de agentes políticos especialmente contra mulheres e indígenas.

A campanha mexicana deste ano registrou um nível de violência sem precedentes, incluindo violência sexual, a mulheres e jornalistas. Essas agressões foram mais de um terço das denúncias no período pré-eleitoral.

Família migrante no México. Cerca de 11 milhões de mexicanos vivem fora do país
Unicef México
Família migrante no México. Cerca de 11 milhões de mexicanos vivem fora do país

Crime organizado

E um outro tema de direitos humanos, segundo os especialistas, é a suposta participação do crime organizado em campanhas e intimidação que leva à autocensura por jornalistas impedindo que a população saiba realmente o que está acontecendo.

O grupo concluiu o comunicado afirmam que um pacote de medidas para assegurar a vida pacífica e democrática no México deve incluir inquéritos completos e efetivos de todos os atos de violência relacionados às eleições.

Os relatores também defendem e reparação para as vítimas e medidas para garantir que as futuras eleições, em 2024, sejam pacíficas e de acordo com os padrões internacionais de direitos humanos.
 
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.
 
 

 

 

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