Setor da música deve se recuperar em 2022, diz produtor musical João Marcello Bôscoli
BR

20 maio 2021

Proprietário do selo Trama falou à ONU News, de São Paulo, sobre iniciativa ResiliArt da Unesco, para apoiar as artes e os profissionais afetados pela pandemia, e sobre o impacto socioeconômico para milhares de trabalhadores e pessoal de apoio em shows e eventos.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, afirmou que os danos socioeconômicos causados pela pandemia geraram um atraso de várias décadas no mercado da cultura e das artes em todo o mundo.

Uma pesquisa, liderada pela Unesco no Brasil e divulgada no mês passado, revelou que 87% dos eventos culturais foram cancelados no primeiro semestre de 2020 quando 39% dos profissionais e produtores migraram para a internet para continuar com suas apresentações.

Luz

Para garantir o acesso de todos à cultura e à sobrevivência dos profissionais, a Unesco lançou, logo após o início da pandemia, a iniciativa ResiliArt.
A ONU News conversou com o produtor musical João Marcello Bôscoli, de São Paulo. Ele é sócio da gravadora Trama, que trabalha com todos os gêneros musicais e já lançou milhares de títulos.

Para Bôscoli, existe sim uma luz no fim do túnel para uma recuperação do mercado, mas ela só deve despontar em 2022.

“Então assim, existe uma perspectiva? Existe. Mas não é algo para o ano de 2021. É algo que eu acredito que vá começar a respirar mesmo com a vacinação mesmo com tudo, observando o ritmo que tem no Brasil, é a partir de 2022, né? Antes do final desse ano, eu acho inviável. Uma coisa ou outra. Um acontecimento ou outro sim. Mas de maneira recorrente, retomando o pulso, o ritmo dos eventos musicais, isso vai demorar um bom tempo. Eu tenho um programa que eu faço no teatro, que foi suspenso, independente do teatro ter patrocínio.  As pessoas não querem o risco de reunir ali, 20%, 30% daquela capacidade possível de espectadores e isso pode ser uma fonte geradora de contaminação, né? É um assunto muito delicado, né? De ânimo, ético e, claro, em última instância de sobrevivência profissional, né?”

Pesquisa, liderada pela Unesco no Brasil e divulgada no mês passado, revelou que 87% dos eventos culturais foram cancelados no primeiro semestre de 2020
Banco Mundial/Mariana Ceratti
Pesquisa, liderada pela Unesco no Brasil e divulgada no mês passado, revelou que 87% dos eventos culturais foram cancelados no primeiro semestre de 2020

Acesso

Em 15 de abril, Dia Mundial da Arte, a Unesco realizou um debate com profissionais do setor e apresentou uma pesquisa de opinião com artistas no Brasil.
Realizada entre julho e setembro do ano passado, em todo o país, o levantamento analisou o impacto dos danos sofridos. 

João Marcello Bôscoli acredita que ainda é cedo para calcular o tamanho real da crise.

“É uma crise, sem precedentes, né? Assim, as iniciativas acontecem, muitas delas silenciosas para não constranger as pessoas até porque a crise não é só no setor de música. Mas o tamanho da crise é desproporcional com o barulho que ela tem feito. Acho que essa imagem que o mundo da música tem de serem pessoas felizes, que trabalham com o que gostam, de ser algo lúdico, divertido e tal, tira um pouco a percepção das pessoas, da profundidade da crise, que de fato, existe.”

Pelo menos 55% dos entrevistados eram profissionais autônomos. E muitos viram 100% de sua renda desaparecer com a suspensão de shows e eventos.
Para muitos, esta é a única renda obtida pela família. As mulheres formavam a maioria dos profissionais ouvidos pela pesquisa.

Em 15 de abril, Dia Mundial da Arte, a Unesco realizou um debate com profissionais do setor e apresentou uma pesquisa de opinião com artistas no Brasil
Unesco Brasil
Em 15 de abril, Dia Mundial da Arte, a Unesco realizou um debate com profissionais do setor e apresentou uma pesquisa de opinião com artistas no Brasil

Streaming

O levantamento indicou ainda que mais de 40% dos contratos e serviços foram encerrados por causa da pandemia. Durante a crise, houve um aumento de serviços de streaming, banda larga e promoção digital. Ainda relevante, os serviços de streaming tiveram pouca aderência no setor cultural como um todo. Quase a metade dos participantes informaram terem reduzido totalmente a compra de insumos do setor de cultura por causa da crise. Mais de 42% registraram a eliminação total de sua mão de obra no primeiro semestre da pandemia.
 

 

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