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Comissão da ONU diz que África do Sul falha no combate da violência a mulheres BR

Uma ativista conversa com três meninas em um assentamento informal em Joanesburgo, África do Sul.
© Unicef/Karin Schermbrucker Mulheres e meninas em área rural da África do Sul

Comissão da ONU diz que África do Sul falha no combate da violência a mulheres

Mulheres

Baixos níveis de punição da casos de violência doméstica e fracasso frequente da polícia em aplicar mandados de proteção levaram sobreviventes a repetidos abusos e violações dos direitos fundamentais de mulheres e meninas.

Um relatório divulgado pela Comissão sobre a Eliminação da Discriminação a Mulheres, Cedaw, revela o aumento da violência de gênero e até de feminicídios na África do Sul.

Em comunicado, a Comissão cita baixos níveis de indiciamento e de punição de casos de violência doméstica e o fracasso da polícia sul-africana de aplicar mandados de proteção. 

Agressores

Com isso, sobreviventes deste tipo de abuso e violações ficam cada vez mais à mercê dos agressores.

A Comissão analisa, anualmente, a situação dos direitos das mulheres em todos os países. 

Segundo o grupo, muitas mulheres e meninas na África do Sul, especialmente em áreas rurais, são vítimas de práticas danosas incluindo casamento infantil, sequestro para casamentos forçados e poligamia, que levam ao aumento da violência doméstica.

As sul-africanas que denunciaram o agressor não receberam a proteção necessária da polícia. 

Uma criança afro-americana sorridente, usando uma touca branca, é segurada por um cuidador, olhando para a câmera.
Unaids/D. Kwande A Comissão fez 34 recomendações ao governo sul-africano para ação incluindo medidas para desmantelar atitudes patriarcais e estereótipos discriminatórios

Ordem

Dados indicam que de 143.824 solicitações para ordem de proteção entre 2018-2019, apenas 22.211 foram concedidas. Mas em muitos desses casos, a ordem de proteção apenas recomendava o agressor a dormir num outro quarto da mesma casa.

A Comissão da ONU destaca que o sofrimento imposto a mulheres e meninas, quase sempre, expõe as mulheres desde cedo à violência doméstica incluindo violência sexual.

Várias sul-africanas falaram sobre violência física, estupro, agressões com objetos, chutes e até queimaduras praticados por parceiros, que frequentemente têm histórico de álcool e drogas. Elas citaram ainda baixa autoestima e tendências sádicas por parte dos agressores.

Um menino mascarado brinca com uma bola de futebol em uma rua de um assentamento na encosta de uma colina em Joanesburgo, África do Sul.
FMI/James Oatway Joanesburgo, África do Sul. Guterres disse que países de renda média precisam melhorar o acesso a tecnologias, pesquisa e inovação,

Recomendações

A Cedaw afirma que muitas sobreviventes passam a usar drogas para lidar com a violência e já tentaram suicídio e várias vítimas sofrem com depressão, trauma e ansiedade por causa da violência.
O grupo citou a falta de abrigos estatais para socorrer mulheres e crianças e disse que a África do Sul não pode se abster de sua obrigação de assistir as vítimas.

A Comissão fez 34 recomendações ao governo sul-africano para ação incluindo medidas para desmantelar atitudes patriarcais e estereótipos discriminatórios que legitimam a violência doméstica no país africano.