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Mais de 75% dos deslocados em Cabo Delgado são mulheres e crianças, muitas estão traumatizadas  BR

Um grupo de deslocados internos, em sua maioria mulheres e crianças, aguarda em fila para receber alimentos em Palma de Mueda, Moçambique.
PMA/Shelley Thakral Conflito no norte de Moçambique causou uma crise humanitária e agências da ONU estão aumentando sua resposta

Mais de 75% dos deslocados em Cabo Delgado são mulheres e crianças, muitas estão traumatizadas 

Ajuda humanitária

OIM precisa de US$ 58 milhões para apoiar os esforços de emergência e pós crise em Moçambique como parte do Plano de Resposta à Crise; conheça a história de Rabia Cabral, que passou vários dias fugindo com os filhos para salvar a vida; o marido dela foi assassinado por extremistas dentro de casa. 

Mais de 44 mil pessoas deslocadas pela recente violência no norte de Moçambique enfrentam dificuldades à medida que a situação humanitária se intensifica em toda a província de Cabo Delgado, no norte do país. 

A região enfrenta um conflito entre tropas do governo e grupos extremistas islâmicos desde 2017. 

Urgência 

Em nota a Organização Internacional para Migrações, OIM, cita que são necessários, com urgência, fundos para responder a situação humanitária, que deslocou quase 700 mil pessoas desde o início da violência em outubro de 2017.  

Uma mãe com um vestido estampado está em pé com duas crianças pequenas em um ambiente externo. Ela segura um galão amarelo e um balde de água branco, com outra criança nas costas. Elas estão em uma área rural com um milharal e uma cabana de palha ao fundo, sob um céu azul.
© Acnur/Martim Gray Pereira Uma mãe e com seus filhos, deslocados pelo conflito, buscam água em um acampamento temporário no distrito de Montepuez, Cabo Delgado, Moçambique

Recentemente, o diretor de operações e Emergências da OIM, Jeff Labovitz, visitou Moçambique. O representante expressou condolências e solidariedade às famílias que perderam entes queridos nos recentes ataques em Palma, a cidade ao norte da capital de Cabo Delgado, Pemba, que foi alvo de um ataque dos extremistas em 24 de março. 

Centenas de milhares de pessoas tiveram que fugir para salvar suas vidas apenas com a roupa do corpo. 

Uma delas é Rabia Hilário Cabral. Ela contou a Jeff Labovitz, o que teve que passar para fugir dos homens armados. 

“Eu saí de casa a fugir da guerra fui até Kiwiya. Fiquei lá três dias com as crianças. Saí de Kiwiya para Kiyonga, de Kiyonga fui a Bundanhari, fiquei lá cinco dias. Saí e fui para Afugi fiquei lá tambem quatro dias com crianças, a sofrer de fome e depois daí mandaram escolher 50 mulheres com crianças e daí fui escolhida com meus filhos e ali subimos helicóptero para aqui.” 

Uma mulher carrega uma bacia verde na cabeça enquanto caminha por um acampamento improvisado em Moçambique. Várias crianças estão sentadas no chão perto dali, e abrigos simples construídos com madeira e tecido ladeiam o caminho de terra.
Unicef/Mauricio Bisol Crianças em assentamento para deslocados internos em Cabo Delgado

Durante a visita, Labovitz reuniu-se com parceiros humanitários e representantes do Governo de Moçambique e visitou locais de reassentamento no distrito de Metuge e o local de trânsito em Pemba.  

Rabia Hilário Cabral falou sobre o assassinato brutal do marido.

“Meu marido já morreu. E mandei alguém para ir a minha casa e saber a situação dele, quando chegaram à casa, arrombaram a porta, entraram e viram que ele estava morto, foi degolado pelos malfeitores. Eles informaram-me que já realizaram o funeral do meu marido.” 

No meio do sofrimento, ela tem um sonho: que as crianças possam voltar à  escola.  

“Nós todos que estamos aqui achamos que ninguém tem nada. Gostaríamos de procurar um sítio e ter um espaço para cada um recomeçar a sua vida. Queiramos pelo menos um fundo para aquisição e material escolar para crianças frequentar a escola.” 

Família de refugiados, incluindo uma mãe e várias crianças, dentro de uma tenda improvisada em um centro de acolhimento de deslocados internos em Palma, Cabo Delgado, Moçambique.
© PMA/Grant Lee Neuenburg Família deslocada em Palma, província de Cabo Delgado, Moçambique

A Matriz de Monitoria de Deslocamentos da OIM continua a registar, diariamente, um aumento do número de pessoas deslocadas de Palma chegando a áreas mais seguras.
Em vários dias no último mês registou-se mais de 1.000 chegadas por dia.  

Dos deslocados, 75% são mulheres e crianças - incluindo grávidas e crianças desacompanhadas. Mais de 1.000 do total têm sido idosos. 

Em 2021, a OIM requer US$ 58 milhões para apoiar os esforços de emergência e pós crise em Moçambique ao abrigo do Plano de Resposta à Crise da OIM Moçambique, que inclui US$ 21,7 milhões para responder às necessidades humanitárias imediatas e de salvamento no norte de Moçambique através do Plano de Resposta Humanitária deste ano. 

  

De Maputo para ONU News, Ouri Pota