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Relator da ONU condena intervenção no Supremo Tribunal de Justiça em El Salvador  BR

Um grande mural em um prédio em San Salvador, El Salvador, retrata uma menina segurando um abacaxi. Uma mulher caminha pela rua em primeiro plano.
PMA/Rein Skullerud Murais em Cruz Roja, em San Salvador, capital de El Salvador

Relator da ONU condena intervenção no Supremo Tribunal de Justiça em El Salvador 

Direitos humanos

Diego García-Sayán afirma que decisão de destituir todos os magistrados e o procurador-geral da República não seguiu procedimentos necessários; para ele, o princípio da separação de poderes, um dos pilares da democracia, estão sendo atacados. 

O relator de direitos humanos* da ONU para independência de juízes e advogados criticou a destituição de todos os magistrados da Corte Suprema de Justiça de El Salvador assim como do procurador-geral da nação. 

Em comunicado, Diego García-Sayán disse que está “seriamente preocupado” com a decisão da Assembleia Legislativa do país centro-americano, anunciada no sábado. 

Passos 

Para o relator, a medida executada em poucas horas pelo Congresso de El Salvador não cumpriu as mínimas garantias e trâmites devidos nesses casos. 

O Relator Especial da ONU, Diego Garcia-Sayan, discursa perante o Conselho de Direitos Humanos.
ONU/Jean-Marc Ferré Diego Garcia-Sayan, Relator Especial da ONU sobre a independência dos juízes e advogados.

O especialista em direitos humanos diz que a decisão foi seguida pela seleção e pela nomeação precipitadas. Para García-Sayán, faltou transparência. 

Ele afirma que esses passos contra a independência do Judiciário foram dados “numa intensa interação com a decisão e intervenção política” do próprio presidente do país, Nayib Bukele, cujo “partido controla o Congresso”. 

García-Sayán diz que a decisão de destituir os magistrados viola o artigo 172 da Constituição de El Salvador que garante a independência dos juízes.  

Um homem sem camisa levanta um bebê sorridente no ar em uma rua residencial de El Salvador.
Unicef/UN018627/Zehbrauskas Para o relator, a medida executada em poucas horas pelo Congresso de El Salvador não cumpriu as mínimas garantias e trâmites devidos nesses casos

Separação 

A medida também fere normas internacionais como o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, os princípios básicos da ONU sobre a independência dos juízes e as diretrizes sobre o papel de procuradores e promotores. 

O relator ressalta que a destituição desrespeita as sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos. 

Para Diego García-Sayán, as instituições democráticas, a separação de poderes e a independência do Poder Judiciário estão sendo atacadas em El Salvador. 

 

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.