4 maio 2021

África precisa de um quarto dos US$ 400 bilhões necessários para conectar pessoas excluídas da banda larga até 2030; Fórum discute relevância da ciência, tecnologia e inovação; setor promoveu vacina em tempo recorde, novos medicamentos e tecnologias de comunicação digital. 

As Nações Unidas estimam que mais de 3 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à internet. A maioria são mulheres. 

O secretário-geral António Guterres destacou essa disparidade em mensagem ao Fórum de Parceiros sobre Ciência, Tecnologia e Inovação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.   

Acesso 

Ele realçou que esse é o total daqueles que estão quase totalmente excluídos dos benefícios da revolução da informação, e que a disparidade piorou com a pandemia. 

Unsplash/Sigmund
Mulheres e meninas têm 25% menos probabilidade do que os homens no domínio da tecnologia digital

 

A secretária-geral assistente do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, Maria Francesca Spatolisano,  citou novos fatos dos tempos da Covid-19. A ONU destaca que nunca antes se evidenciou a relevância da ciência, tecnologia e inovação para o bem-estar e sobrevivência humanas.  

Entre os exemplos disso estão a aprovação de uma vacina em tempo recorde e o aumento da inovação em medicamentos e tecnologias de comunicação digital. Nesse período também houve mais descobertas científicas, colaborações e novas formas de prestação de serviços. 

Para a organização, esses avanços são promissores para os desafios que envolvem ainda os efeitos da crise climática e a redução das desigualdades, incluindo a exclusão digital e o fim dos danos causados à natureza.  

Fronteiras  

A ONU recomenda união da comunidade internacional num trabalho conjunto que ultrapasse “fronteiras, setores e disciplinas para fazer que a ciência e a tecnologia estejam ao serviço de todos.” 

Unicef/ UN014974/Estey
Mulheres e meninas são quatro vezes menos propensas a saber programar computadores

 

A cooperação entre os vários envolvidos nesse objetivo é considerada a chave para alcançar as metas globais, enfrentar as mudanças climáticas, acabar com as crises de biodiversidade e poluição e enfrentar outros desafios comuns. 

Já o presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir, chamou a atenção para “disparidades dentro da disparidade” com mulheres e meninas tendo 25% menos probabilidade do que os homens no domínio da tecnologia digital para fins básicos. 

As usuárias são quatro vezes menos propensas a saber programar computadores e 13 vezes menos possibilidades de solicitar uma patente de Tecnologia da Informação e Comunicação. 

Empregos  

As diferenças de acesso ao mundo digital incluem a falta de uma conta de correio eletrônico, que tem efeitos na qualidade da educação, da saúde e na disponibilidade e diversidade de empregos e meios de subsistência.  

Para expandir o acesso às tecnologias digitais,  Bozkir pediu que além de promover a inclusão se acelere o desenvolvimento sustentável, impulsionando a ação e a inovação em todos os ODSs.  

© Unicef/Daniele Volpe
O relatório destaca um fosso digital entre países de baixa e alta renda

 

Em momento de alívio e recuperação da pandemia, ele sugere que a recuperação seja no campo digital.  

Potencial 

Cerca de US$ 400 bilhões são necessários para conectar os cerca de 3 bilhões de pessoas à internet de banda larga até 2030. Destes, US$ 100 bilhões são precisos apenas para a África. 

A ONU promove a colaboração em favor do progresso tecnológico através do Mecanismo de Facilitação de Tecnologia.  

No ano passado, foi lançado o Roteiro para a Cooperação Digital que atuando com o fórum pretende avançar na “visão de aproveitar todo o potencial da ciência e tecnologia para o benefício de todas as pessoas, em todos os lugares.” 

OMS/Blink Media/Chiara Luxardo
ONU aponta aprovação de uma vacina em tempo recorde como exemplo da relevância da ciência para o bem-estar

 

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