Cidade costeira de Palma foi palco de confrontos recentes de terroristas com as forças de segurança

OIM calcula mais de 25 mil deslocados moçambicanos após ataques a Palma    BR

© PMA/Grant Lee Neuenburg
Cidade costeira de Palma foi palco de confrontos recentes de terroristas com as forças de segurança

OIM calcula mais de 25 mil deslocados moçambicanos após ataques a Palma   

Migrantes e refugiados

Agência anunciou novos recursos emergenciais, antes da avaliação de operações na província de Cabo Delgado; deslocados dos ataques em março chegam a 25 mil; agência oferece auxílio psicossocial e proteção às vítimas. 

A Organização Internacional para Migrações, OIM, doou mais US$ 1,2 milhão a ações de resposta de emergência para os deslocados por ataques de terroristas em março, na cidade de Palma, em Cabo Delgado. 

Neste sábado, o diretor de Operações e Emergências da agência começa a analisar a situação no terreno. A visita também deverá assegurar a continuação do auxílio aos necessitados na região do extremo norte. 

Instabilidade 

Na semana passada, o número de deslocados dos ataques de terroristas era quase 25 mil. Pelo menos 4 mil novos residentes deixaram Palma após confrontos desses grupos com as forças de segurança do país.  

Família deslocada em Palma, província de Cabo Delgado, Moçambique
© PMA/Grant Lee Neuenburg
Família deslocada em Palma, província de Cabo Delgado, Moçambique

 

A chefe do Escritório da OIM em Moçambique, Laura Tomm-Bonde, diz haver “centenas de pessoas com necessidades humanitárias urgentes que chegam diariamente a pé, de autocarro e de barco devido à instabilidade em Palma.”  

A representante realçou que o auxílio essencial continua, mas carece de mais apoio em favor de “soluções duráveis para milhares de famílias deslocadas, para que comecem a preparar um novo futuro para si mesmas e suas famílias”. 

Mais da metade dos deslocados que deixaram Palma estão nos distritos da fronteira norte com a Tanzânia.  Mueda alberga 6.970 e em Nangade pelo menos 6.733. Mais a sul, cerca de 5 mil  pessoas chegaram à capital provincial, Pemba, e mais 3.795 ao distrito de Montepuez. 

Uma das deslocadas de Palma é Malitate Ali, mãe de seis filhos, incluindo um recém-nascido. Ela foi acolhida por um parente em Pemba e recebe apoio psicossocial da OIM. 

Raptados  

A agência também oferece primeiros socorros e aconselhamento em grupo e individual.  

Malitate Ali contou que os grupos armados queimaram lojas, casas e decapitaram pessoas. Vários membros de sua família foram raptados e feridos.  

Funcionário da OIM na praia em Pemba onde chegam muitos dos deslocados
OIM/Sandra Black
Funcionário da OIM na praia em Pemba onde chegam muitos dos deslocados

Ela disse precisar de comida e roupas para os filhos, principalmente o bebê enquanto não volta a Palma. 

Além de oferecer assistência psicossocial e proteção a centenas de deslocados de Palma, a OIM envia artigos não alimentares para reabastecer o sistema de auxílio e melhorar a resposta em áreas de difícil acesso.  

Necessidades 

Cerca de 2 mil famílias deslocadas nos distritos de Mueda e Montepuez receberam lonas, cobertores, roupas, baldes, galões e outros itens essenciais em uma semana. No total, 40 mil moçambicanos já tiveram assistência direta da agência desde o início do ano na sequência da insegurança em Cabo Delgado.  

No entanto, a OIM precisa de US$ 58 milhões para financiar o Plano de Resposta à Crise de 2021. Desse total, quase US$ 22 milhões são para responder às necessidades humanitárias críticas no norte de Moçambique. 

Na capital de Cabo Delgado, Pemba, grupo de deslocados devido a atividade terrorista
OIM/Matteo Theubet
Na capital de Cabo Delgado, Pemba, grupo de deslocados devido a atividade terrorista