Vacina contra malária imuniza 650 mil crianças em três países africanos BR

Bebê é testado para malária no estado de Adamawa, na Nigéria
© Unicef/Andrew Esiebo
Bebê é testado para malária no estado de Adamawa, na Nigéria

Vacina contra malária imuniza 650 mil crianças em três países africanos

Saúde

Piloto de dois anos já distribuiu 1,7 milhão de doses em Gana, Quênia e Malauí; primeira imunização desse tipo também oferece proteção adicional contra a doença; testes foram feitos em áreas endêmicas com 60% de pacientes infantis.

Dois anos após o lançamento de um programa piloto na África mais de 650 mil crianças estão imunizadas contra a malária. 
A vacina RTS,S, a primeira do mundo contra a doença, que também é conhecida como paludismo, foi distribuída em quatro doses para crianças de até dois anos.

Todos os anos, o número global de novos casos de malária ultrapassa os 200 milhões, sendo que a cada dois minutos, uma criança morre desta doença tratável.
OMS/ Mark Nieuwenhof
Todos os anos, o número global de novos casos de malária ultrapassa os 200 milhões, sendo que a cada dois minutos, uma criança morre desta doença tratável.

Pandemia

O piloto foi executado em três países: Quênia, Gana e Malauí como parte do programa com um total de 1,7 milhão de doses.

A médica da Organização Mundial da Saúde, OMS, Kate O’Brien, lembra que num momento em que o mundo enfrenta a pandemia da Covid-19, observa-se que o controle global da malária está estagnado. 

Por isso, a proteção da vacina aliada a outras medidas de combate à doença tem o potencial de salvar dezenas de milhares de vidas todos os anos.

Trabalhadora de saúde prepara teste de malária.
OMS/Paho
Trabalhadora de saúde prepara teste de malária.

Mosquiteiros

A médica da OMS acredita que os três países africanos mostraram que as campanhas atuais de vacinação infantil podem ajudar a levar o imunizante contra a malária a crianças em muitas partes do mundo, onde elas não têm acesso ao inseticida aplicado em mosquiteiros e outras formas de prevenção da infecção.

Nas últimas duas décadas, a OMS e seus parceiros ajudaram a evitar mais de 7 milhões de mortes por malária e 1,5 bilhão de casos da doença.

O médico Pedro Alonso, diretor do Programa Global de Malária, afirma que mesmo com os avanços, as metas globais de combate à doença continuam atrasadas.

Segundo ele, somente novas ferramentas poderão ajudar a correr contra o tempo e por isso a vacina contra a malária é tão importante.

Mãe e bebê na Beira, em Moçambique, recebem tratamento contra malária
Foto: Unicef/UN0303710/Oatway
Mãe e bebê na Beira, em Moçambique, recebem tratamento contra malária

Dados

O sucesso do projeto piloto será informado em relatórios para a OMS com recomendações para um uso mais alargado da vacina em outros países da África Subsaariana.

Os órgãos consultivos globais para imunização e malária devem se reunir em outubro para decidir se ela deve ser recomendada no futuro.

O recente relatório sobre a doença revela que 400 mil pessoas morreram de malária em 2019. Deste total, 90% dos óbitos ocorreram na África, e a maioria ou mais de 265 mil mortes foram de crianças pequenas.

Um trabalhador borrifa inseticida nas superfícies de um abrigo para controlar a propagação de mosquitos e diminuir o risco de malária
Unicef/Bagla
Um trabalhador borrifa inseticida nas superfícies de um abrigo para controlar a propagação de mosquitos e diminuir o risco de malária

Europa

O projeto piloto que começou em 2019 será encerrado neste 25 de abril. Os testes indicaram que a vacina reduz, de forma significativa, a doença em crianças incluindo casos de malária severa.

Após ser autorizado por autoridades sanitárias em Gana, no Quênia e no Malauí, a vacina também recebeu opinião favorável da Agência Europeia de Medicamentos, EMA.

A imunização é coordenada pela OMS e outros parceiros internacionais.