15 abril 2021

Março foi o mês recorde de mortes este ano; No Conselho de Segurança, enviado especial ressaltou que entendimento aliviará o sofrimento e reacenderá a esperança de milhões de iemenitas; situação agrava com nova onda da Covid-19 e fome. 

O Conselho de Segurança realizou esta quinta-feira uma sessão sobre o Iêmen. A reunião foi marcada por atualizações feitas pelo enviado especial da ONU para o país, Martin Griffiths, e pelo chefe humanitário da organização, Mark Lowcock. 

Para Griffiths, que lidera os esforços de mediação entre as partes em conflito, “tudo o que é preciso agora é que estas adotem o acordo de cessar-fogo nacional e um entendimento sobre o momento específico para se lançar o processo político”. 

Urgência  

O mediador disse haver união do Conselho de Segurança e unanimidade da comunidade internacional exigindo ações específicas nas discussões e reconhecendo a urgência humanitária, a entrada de apoio ao país e que haja confiança e comunicação entre as partes para evitar a piora da guerra. 

PMA/Hayat Al Sharif
Uma mulher no Iêmen usa o lixo recolhido nas ruas para acender seu fogão.

 

Na reunião, o subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, realçou que somente com a paz pode melhorar a vida de todos no Iêmen. Para ele, o cessar-fogo é vital para se lidar com a pior crise humanitária do mundo.  

A situação piora com uma nova onda da Covid-19, agora marcada pelo dobrar de novos casos nas últimas seis semanas. Médicos e funcionários de saúde estão entre os mais afetados “pelo mover mais rápido das contaminações pelo coronavírus”. 

A fome afeta dezenas de milhares de pessoas e a ameaça de morte afeta 5 milhões de iemenitas que estão em situação grave. Em 2021, março foi o mês com mais vítimas civis do conflito, com mais de 200 mortes e feridos em confrontos. Mais de 350 casas foram destruídas e acampamentos de deslocados afetados por combates. 

Marib 

Outra preocupação no terreno é com os confrontos em Marib. Griffiths disse que a escalada de confrontos na região faz subir o número de deslocados internos.  Há também relatos de vários ataques de drones e mísseis balísticos.  

Foto ONU/ Manuel Elias
Enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths.

 

O mediador apontou ainda que ataques realizados na semana passada pelos combatentes Ansar Allah aingiram o território saudita e instalações civis acolhendo civis. 

Em Hodeida continuam as discussões como parte dos esforços para manter a calma durante a implementação do acordo alcançado em Estocolmo. Em Taiz, os combates e vítmas civis continuam a aumentar e o impacto é sentido em serviços básicos e na liberdade de movimento.  

O enviado destacou a questão de milhares de prisioneiros e outros detidos que aguardam libertação. Entre eles estão quatro jornalistas que enfrentam a pena de morte detidos na capital, Sanaa. 

Esperança  

O conflito piorou com a tomada da principal cidade iemenita em 2014,  depois do controle de áreas do norte pelas forças houthis. Meses depois, uma aliança internacional interveio para ajudar o governo do presidente Abd Rabbo Mansour Hadi a retornar ao poder. 

Unfpa
Mãe e filhos deslocados na cidade de Hodeida, no Iêmen, onde a Covid-19 já é uma preocupação

Para o enviado da ONU, um acordo contribuirá imediatamente para aliviar o sofrimento e reacender a esperança do povo. O movimento de navios ajudará a entrada de combustível e outras mercadorias essenciais. Já a retomada de voos nacionais e internacionais revitalizaria a economia e o tratamento médico. 

Com o silenciar das armas também ocorreria o desbloqueio de estradas para a passagem de mercadorias de apoio humanitário, a livre circulação de pessoas, a atividade em escolas e o retorno aos locais de trabalho. 

Negociações 

Em finais de fevereiro, após um mês de negociações, terminaram, sem acordo, as sessões de diálogo entre as partes em conflito em Amã. O foco das conversas na capital da Jordânia era a possível troca de prisioneiros entre as partes. 

Com a esperança de novas reuniões apoiadas pelas Nações Unidas, Griffiths disse que o diálogo político deverá ser inclusivo, liderado pelos iemenitas e encerrar o conflito de uma forma sustentável e abrangente. 

Banco Mundial/Dana Smillie
Uma professora iemenita atende um aluno com deficiência auditiva na Associação para o Bem-Estar e Reabilitação de Surdos e Mudos.

 

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