Agência ajuda Japão a descartar água contaminada por acidente em Fukushima 
BR

13 abril 2021

Um milhão de toneladas de água do mar serão tratadas antes de serem liberadas, em um processo que deve começar em dois anos e demorar três décadas; desastre em usina nuclear aconteceu há 11 anos.

A Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, irá ajudar o Japão a liberar um milhão de toneladas de água do mar contaminada usada para resfriar a usina nuclear de Fukushima. 

Em comunicado, o diretor geral da Aiea, Rafael Mariano Grossi, disse que a solução do Japão é "tecnicamente viável e em linha com a prática internacional." 

Ambiente 

A decisão acontece 11 anos depois que um tsunami inundou os reatores da usina, causando uma série de explosões e forçando a evacuação de mais de 60 mil pessoas. 

IAEA/Giovanni Verlini
Tanque danificado em Fukushima Daiichi

Grossi informou que a agência está pronta "para fornecer suporte técnico no monitoramento e revisão da implementação segura e transparente do plano". 

Segundo a agência, descargas de água controlada no mar são prática de rotina para operar usinas nucleares no mundo após avaliações de impacto ambiental e de segurança. 

Complexidade 

O chefe da Aiea afirmou, no entanto, que “a grande quantidade de água” envolvida torna este caso “único e complexo”. 

Grossi lembrou que tanques com água ocupam grandes áreas do local. Segundo ele, “a gestão, incluindo o descarte da água tratada de forma segura e transparente envolvendo todas as partes interessadas, é de fundamental importância para a sustentabilidade das atividades” que irão encerrar a usina. 

Para o chefe da agência, a decisão do governo do Japão “é um marco que ajudará a pavimentar o caminho para o progresso contínuo no descomissionamento da usina nuclear de Fukushima Daiichi.” 

Planos 

Segundo agências de notícias, o Japão planeja começar a liberar 1,25 milhão de toneladas de água do mar contaminada no Oceano Pacífico em dois anos, mas somente depois de filtrada e retirada da maior parte do material radioativo. 

Esse processo deve eliminar os isótopos radioativos de estrôncio e césio, mas não o trítio, que está ligado ao hidrogênio e representa pouco risco para a saúde em baixas concentrações. 

Aiea/Giovanni Verlini
Comitê da ONU disse que a radiação libertada pelo acidente parece não estar aumentando os casos de câncer em Fukushima

A China e a Coreia do Sul já denunciaram publicamente a medida, juntamente com o grupo Greenpeace Japão. Para a ONG ambientalista, a decisão é "totalmente injustificada" e os perigos da radiação seriam menores armazenando e processando a água a longo prazo. 

Confiança 

A liberação de toda a água do mar contaminada levará três décadas. 

O diretor-geral da Aiea, que visitou a usina no ano passado, disse que a agência irá “atuar em estreita colaboração com o Japão antes, durante e depois do despejo da água.” 

Segundo ele, essa parceria “ajudará a aumentar a confiança, no Japão e além, de que o descarte de água é realizado sem um impacto adverso na saúde humana e no meio ambiente.” 

 

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