Guterres pede “esforços sem precedentes” em reunião sobre financiamento para desenvolvimento 
BR

12 abril 2021

Evento aberto esta segunda-feira reúne ministros de governos e representantes de organizações internacionais; secretário-geral quer ação urgente para recuperação pós-pandemia em seis áreas incluindo vacinas, gerenciamento da dívida e um novo contrato social. 

O Fórum sobre Financiamento para o Desenvolvimento, organizado pelo Conselho Econômico e Social da ONU, Ecosoc, começou esta segunda-feira, de forma virtual, discutindo a recuperação da crise da Covid-19. 

O Fórum reúne ministros de Finanças, Relações Exteriores e Cooperação para o Desenvolvimento, diretores-executivos do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, FMI, além de altos funcionários da ONU.  

Esforços 

O secretário-geral, António Guterres, disse que a recuperação da pandemia “significa um esforço sem precedentes para mobilizar recursos e vontade política.” 

Guterres pediu um novo contrato social, com mais investimentos em educação
Unicef/Frank Dejongh
Guterres pediu um novo contrato social, com mais investimentos em educação

Segundo ele, desde que a pandemia começou, há um ano, nenhum elemento da resposta multilateral aconteceu como deveria. 

Guterres lembrou que mais de 3 milhões de pessoas morreram. Cerca de 120 milhões voltaram à pobreza extrema, enquanto 255 milhões de empregos foram perdidos. Ele descreveu a recessão atual como a pior em 90 anos.  

O chefe da ONU acredita que “a crise está longe do fim” e “a velocidade das infecções está aumentando.” 

Desigualdade 

Para ele, até agora, a comunidade internacional foi reprovada no teste dessa crise de saúde e o esforço de vacinação é uma prova. 

Apenas 10 países respondem por cerca de 75% das imunizações globais. Algumas estimativas apontam que o custo global do acesso desigual de vacinas é mais de US$ 9 trilhões. 

Para Guterres, a mesma falta de solidariedade significa que alguns países mobilizaram pacotes de ajuda no valor de trilhões de dólares, enquanto muitos países em desenvolvimento enfrentam fardos de dívidas insuperáveis.  

Mesmo antes da pandemia, 25 nações gastavam mais com o serviço da dívida do que com educação, saúde e proteção social combinadas. 

Agora, “muitos governos enfrentam uma escolha impossível entre o serviço da dívida ou salvar vidas.” Para Guterres, “há apenas uma escolha: agir para evitar uma crise global da dívida.” 

OMS destaca momento monumental na luta contra a doença
Unicef/Jake Verzosa
OMS destaca momento monumental na luta contra a doença

Ação 

O secretário-geral pediu ação urgente da comunidade internacional em seis áreas. 

Primeiro, as vacinas devem estar disponíveis para todos os países. Depois, é preciso reverter a queda nas linhas de crédito, inclusive em países de renda média 

Em terceiro lugar, ele lembrou que, no ano passado, houve um aumento de US$ 5 trilhões na riqueza das pessoas mais ricas do mundo. E pediu que os governos considerem um imposto de solidariedade ou riqueza sobre aqueles que lucraram durante a pandemia, para reduzir as desigualdades extremas. 

Em quarto, Guterres destaca a crise da dívida, pedindo suspensão, alívio e liquidez para os países que precisam, e em quinto lugar mais investimento em pessoas, com um novo contrato social e investimentos em educação, empregos decentes e verdes, proteção social e sistemas de saúde.  

Mudança climática 

Ela firma que o mundo precisa relançar as economias de uma maneira sustentável e equitativa, consistente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, e o Acordo de Paris. 

O chefe da ONU também destacou o tema da mudança climática, dizendo que ameaça cada vez mais o futuro das pessoas e do planeta. 

O último relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, mostra que apenas 2,5% dos gastos com recuperação têm um impacto positivo no meio ambiente. 

Segundo o secretário-geral, o mundo está “perdendo uma oportunidade única em uma geração para implementar soluções ousadas e criativas que fortalecerão a resposta e a recuperação, ao mesmo tempo que aceleram o progresso em toda a Agenda 2030 e no Acordo de Paris.” 

 

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