Energias renováveis podem levar a acesso universal à energia na África 
BR

6 abril 2021

Em reunião com líderes do continente, secretário-geral da ONU falou sobre soluções para a crise climática e recuperação da Covid-19; António Guterres lembrou que centenas de milhões de pessoas ainda não têm acesso à eletricidade; na última década, apenas 2% dos investimentos globais em energia renovável foram para África. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta terça-feira que o acesso universal à energia pode ser uma realidade na África usando fontes renováveis.  

Ele participou em um encontro virtual com líderes africanos sobre soluções para a crise climática e da Covid-19, junto da vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed. 

Mudança 

Falando sobre a crise da Covid-19, Guterres disse que o mundo tem uma oportunidade única nessa geração de traçar um novo caminho de desenvolvimento global. 

Guterres lembrou que centenas de milhões de pessoas ainda lutam todos os dias porque não têm acesso confiável e barato à eletricidade
Foto ONU/Evan Schneider
Guterres lembrou que centenas de milhões de pessoas ainda lutam todos os dias porque não têm acesso confiável e barato à eletricidade

Segundo ele, “o modelo atual não está funcionando” porque “a dinâmica do mercado mudou profundamente.” 

Em 2020, o financiamento para energias renováveis ​​e eficiência energética era quatro vezes maior do que para energia fóssil. No Quênia, por exemplo, as soluções de energia renovável empregam mais de 10 mil trabalhadores e esse número deve crescer mais 70% nos próximos dois anos. 

Combustíveis poluentes 

Apesar desse progresso, na última década, apenas 2% dos investimentos globais em energia renovável foram para a África. 

Guterres lembrou que “centenas de milhões de pessoas ainda lutam todos os dias porque não têm acesso confiável e barato à eletricidade ou estão cozinhando com combustíveis poluentes e prejudiciais.” 

Destacando a meta de acesso universal à energia, ele pediu que os líderes apresentem “um pacote abrangente de apoio para cumprir esse objetivo antes da COP-26”, a Conferência do Clima da ONU, que acontece no final do ano no Reino Unido. 

Segundo o secretário, isso “é possível, necessário e está atrasado.” Além disso, é uma escolha inteligente, porque a ação climática no continente é uma oportunidade de investimento de US$ 3 trilhões até 2030. 

Financiamento 

Cerca de 14% da população mundial vive na África Subsaariana, mas apenas 3% do financiamento global do clima está na região. O compromisso anual de US$ 100 bilhões, assumido há mais de uma década, nunca foi cumprido.  

Por isso, Guterres pediu a todas as nações do G-7 que dobrem seu apoio ao financiamento climático, que o setor privado ofereça fornecer soluções concretas aos governos e que as autoridades locais trabalhem com sindicatos e líderes comunitários em redes de requalificação e previdência social. 

Turbinas de energia solar em Nouakchott, na Mauritânia
Pnud Mauritania/Freya Morales
Turbinas de energia solar em Nouakchott, na Mauritânia

O secretário-geral afirma que o o apoio à adaptação climática no continente é crucial. Segundo dados da Comissão Global de Adaptação, cada US$ 1 investido em adaptação pode render quase US$ 4 em benefícios. 

Ele lembrou que os países africanos continuam a contribuir pouco para as emissões globais, mas estão na linha de frente de impactos climáticos dramáticos, como enchentes, ciclones e secas, que podem destruir décadas de ganhos de desenvolvimento.  

Guterres destacou ainda a importância de sistemas de alerta precoce, informando que uma em cada três pessoas não está coberta por estes sistemas. 

O chefe da ONU pediu ainda que todos os países alinhem seus pacotes de recuperação da pandemia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris. 

 

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