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Energias renováveis podem levar a acesso universal à energia na África  BR

Um técnico caminha ao longo de painéis solares no telhado de um grande armazém em Lusaka, Zâmbia, sob um céu azul brilhante com nuvens.
Pnud/Karin Schermbrucker Técnico trabalha em painéis solares no telhado de um armazém no centro de Lusaka, Zâmbia

Energias renováveis podem levar a acesso universal à energia na África 

Clima e Meio Ambiente

Em reunião com líderes do continente, secretário-geral da ONU falou sobre soluções para a crise climática e recuperação da Covid-19; António Guterres lembrou que centenas de milhões de pessoas ainda não têm acesso à eletricidade; na última década, apenas 2% dos investimentos globais em energia renovável foram para África. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta terça-feira que o acesso universal à energia pode ser uma realidade na África usando fontes renováveis.  

Ele participou em um encontro virtual com líderes africanos sobre soluções para a crise climática e da Covid-19, junto da vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed. 

Mudança 

Falando sobre a crise da Covid-19, Guterres disse que o mundo tem uma oportunidade única nessa geração de traçar um novo caminho de desenvolvimento global. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa em um pódio durante uma reunião da Assembleia Geral em Nova Iorque.
Foto ONU/Evan Schneider Guterres lembrou que centenas de milhões de pessoas ainda lutam todos os dias porque não têm acesso confiável e barato à eletricidade

Segundo ele, “o modelo atual não está funcionando” porque “a dinâmica do mercado mudou profundamente.” 

Em 2020, o financiamento para energias renováveis ​​e eficiência energética era quatro vezes maior do que para energia fóssil. No Quênia, por exemplo, as soluções de energia renovável empregam mais de 10 mil trabalhadores e esse número deve crescer mais 70% nos próximos dois anos. 

Combustíveis poluentes 

Apesar desse progresso, na última década, apenas 2% dos investimentos globais em energia renovável foram para a África. 

Guterres lembrou que “centenas de milhões de pessoas ainda lutam todos os dias porque não têm acesso confiável e barato à eletricidade ou estão cozinhando com combustíveis poluentes e prejudiciais.” 

Destacando a meta de acesso universal à energia, ele pediu que os líderes apresentem “um pacote abrangente de apoio para cumprir esse objetivo antes da COP-26”, a Conferência do Clima da ONU, que acontece no final do ano no Reino Unido. 

Segundo o secretário, isso “é possível, necessário e está atrasado.” Além disso, é uma escolha inteligente, porque a ação climática no continente é uma oportunidade de investimento de US$ 3 trilhões até 2030. 

Financiamento 

Cerca de 14% da população mundial vive na África Subsaariana, mas apenas 3% do financiamento global do clima está na região. O compromisso anual de US$ 100 bilhões, assumido há mais de uma década, nunca foi cumprido.  

Por isso, Guterres pediu a todas as nações do G-7 que dobrem seu apoio ao financiamento climático, que o setor privado ofereça fornecer soluções concretas aos governos e que as autoridades locais trabalhem com sindicatos e líderes comunitários em redes de requalificação e previdência social. 

Um camelo está em uma paisagem desértica com um parque eólico ao fundo.
Pnud Mauritania/Freya Morales Turbinas de energia solar em Nouakchott, na Mauritânia

O secretário-geral afirma que o o apoio à adaptação climática no continente é crucial. Segundo dados da Comissão Global de Adaptação, cada US$ 1 investido em adaptação pode render quase US$ 4 em benefícios. 

Ele lembrou que os países africanos continuam a contribuir pouco para as emissões globais, mas estão na linha de frente de impactos climáticos dramáticos, como enchentes, ciclones e secas, que podem destruir décadas de ganhos de desenvolvimento.  

Guterres destacou ainda a importância de sistemas de alerta precoce, informando que uma em cada três pessoas não está coberta por estes sistemas. 

O chefe da ONU pediu ainda que todos os países alinhem seus pacotes de recuperação da pandemia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris.