Enviada especial a Mianmar pede ação imediata do Conselho de Segurança  
BR

31 março 2021

Desde intervenção militar de 1º de fevereiro, 2.559 pessoas foram presas, acusadas ou condenadas e 521 assassinadas; Christine Schraner Burgener apelou à comunidade internacional para prevenir uma catástrofe multidimensional no “coração da Ásia”. 

A enviada especial do secretário-geral a Mianmar, Christine Schraner Burgener, disse esta quarta-feira ao Conselho de Segurança que a situação no país “exige uma resposta internacional firme, unificada e decidida.” 

Ela contou que os militares de Mianmar, no sudeste da Ásia, continuam a desafiar os apelos, inclusive do Conselho, para acabar com as violações dos direitos humanos fundamentais e retornar à democracia. 

Vítimas 

Schraner Burgener citou dados de uma ONG dizendo que cerca de 2.559 pessoas foram presas, acusadas ou condenadas desde a tentativa de golpe em 1º de fevereiro. Até esta quarta-feira, 521 podem ter sido mortas pela junta militar. 

Foto ONU/Loey Felipe
Enviada especial da ONU para Mianmar, Christine Schraner Burgener

No Dia das Forças Armadas de Mianmar, 27 de março, houve cerca de 100 assassinatos brutais por forças de segurança incluindo de crianças, jovens e mulheres. 

A enviada lembrou imagens de civis baleados à queima-roupa e outros assassinatos brutais nas ruas e em casas. Segundo ela, “ataques generalizados e sistêmicos contra a população civil em Mianmar estão ocorrendo diante de nossos olhos.” 

Consequências 

Christine Schraner Burgener detalhou efeitos da crise em vários setores. 

Um colapso bancário parece iminente junto com a escassez de alimentos e falhas na saúde. Ao mesmo tempo, ondas de choque derrubaram a cadeia de suprimentos e afetaram a força de trabalho. 

A enviada lembrou que, antes da ação militar, Mianmar estava se preparando para sair do grau de país menos desenvolvido. Agora, ela diz que “ganhos duramente conquistados com a transição democrática e o processo de paz estão se esvaindo.” 

Banco Mundial/Markus Kostner
Cidade de Rangum, em Mianmar, onde os militares tomaram o poder

Ela contou que grupos vulneráveis, incluindo o povo rohingya, serão os que mais afetados, mas afirmou que “todo o país está à beira de um estado de falência.” 

Ação 

Para Schraner Burgener, “o fracasso em evitar uma nova escalada de atrocidades custará ao mundo muito mais no longo prazo do que investir agora em prevenção.”  

Ela apelou ao Conselho para que considere “todas as ferramentas disponíveis para tomar uma ação coletiva e fazer o que é certo” e “prevenir uma catástrofe multidimensional no coração da Ásia.” 

Segundo a enviada, “os líderes militares mostraram claramente que não são capazes de administrar o país” e, por isso, “o governo civil deve ser restaurado.” 

Ela diz que continua em contato diário com o povo de Mianmar. E, nas últimas semanas, as pessoas mostraram “o quanto estão dispostos a sacrificar por seu futuro.” 

Unicef/Minzayar Oo
No início de 2021, cerca de 1 milhão de pessoas em Mianmar precisava de ajuda humanitária e proteção

A enviada perguntou depois aos Estados-membros como, olhando para trás daqui a dez anos, a história julgará a sua falta de ação. 

Refugiados 

Também esta quarta-feira, a agência da ONU para Refugiados, Acnur, fez um apelo aos países vizinhos para protegerem as pessoas que fogem da violência em Mianmar.  

Segundo a agência, “é vital que qualquer pessoa que atravesse a fronteira, buscando asilo em outro país, tenha acesso a ela.” 

Em toda a região, o Acnur e parceiros estão prontos para aumentar o apoio às autoridades nacionais e locais para garantir que os refugiados recebam a proteção de que precisam. 

 

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