Relatores preocupados com situação de trabalhadores da minoria uighur, na China
BR

29 março 2021

Em comunicado, grupo de 16 especialistas em direitos humanos relata alegações de prisão arbitrária e trabalho forçado; pelo menos 150 empresas poderiam ser parte das relações de trabalho; relatores pedem diálogo com governo chinês sobre condições da minoria étnica uighur, que vive na província de Xinjiang.

Especialistas em direitos humanos da ONU* expressaram sérias preocupações com alegações de detenção e trabalho forçado de integrantes da minoria étnica uighur, na China.  
 
Em comunicado conjunto, 16 especialistas em direitos humanos pediram acesso  irrestrito ao país asiático para realizar uma missões de apuração dos fatos.  

ONU / Violaine Martin
Cerca de 150 empresas chinesas e internacionais podem estar incluídas nas alegações de abuso.

Conselho de Direitos Humanos

As informações, recebidas pelo Conselho de Direitos Humanos, apontam que pelo menos 150 empresas chinesas e internacionais poderiam estar incluídas nas alegações de abusos dos direitos humanos.
 
Para os relatores, será preciso fortalecer o diálogo com o governo da China. Eles acreditam que uma viagem oficial ao país seria uma oportunidade ideal para avaliar a situação de perto.
 
Os relatos recebidos pelos especialistas indicam que os trabalhadores da etnia uighur estariam sendo alvos de maus tratos, trabalho forçado e detenções arbitrárias
 
O presidente do Grupo de Trabalho, Dante Pesce, afirma que os funcionários  teriam sido empregados à força em indústrias pouco qualificadas e de mão de obra intensiva, como o agronegócio, têxtil e vestuário, automotivo e setores tecnológicos.  

 

UN Photo/Rick Bajornas
Relatores pedem que governo e empresas respeitem os direitos humanos, especialmente das minorias.

Direitos das minorias

 

Os relatores apelaram ao governo chinês a suspender, de imediato, qualquer medida que não esteja de acordo com as normais e leis internacionais incluindo o de direito das minorias.
 
Eles enviaram cartas à China e a empresas privadas fora do país, além de governos de 13 países que abrigam as multinacionais, relembrando as obrigações dos Estados de origem sob os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Negócios e Direitos Humanos para garantir que as companhias respeitem todos os direitos humanos em suas operações.
 
O vice-presidente do Grupo de Trabalho, Surya Deva, disse que as empresas não podem fechar os olhos e devem realizar diligências adequadas de direitos humanos de acordo com os Princípios Orientadores da ONU para identificar, prevenir, mitigar e responder por abusos de direitos humanos causados, contribuídos ou diretamente ligados às suas operações, produtos ou serviços na província de Xinjiang e em outras regiões chinesas.  
 
Ao mesmo tempo, o governo chinês deve agir para que todas as empresas que operam no país conduzam seus trabalhos com base em padrões internacionais de direitos humanos.  
 
 
* Os relatores de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho. 

 

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