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Preconceito com pessoas na terceira idade gera perdas de dezenas de bilhões de dólares BR

Um senhor idoso, usando máscara e luvas, está sentado no balcão de um café com uma xícara de café.
Unsplash/Ross Sneddon Estudo mostra que a resposta ao Covid-19 demonstrou como o preconceito está amplamente divulgado com estereótipos criados na mídia social

Preconceito com pessoas na terceira idade gera perdas de dezenas de bilhões de dólares

Saúde

Organização Mundial da Saúde e outras agências da ONU afirmam que estereótipos, percepções negativas e outras formas de discriminação, conhecidas como “ageism” em inglês, causam isolamento social dos idosos e agravam sua saúde; entidades querem ação urgente para combater o problema.

As Nações Unidas lançaram um relatório advertindo sobre o impacto do preconceito à terceira idade em instituições e sistemas jurídico, social e de saúde.

O documento foi divulgado pelo Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, pelo Departamento Econômico e Social, Desa, pela Organização Mundial da Saúde e pelo Escritório da ONU para os Direitos Humanos.

Uma idosa nepalesa, usando máscara facial e apoiando-se em uma bengala, caminha por uma trilha de terra em frente a um centro de saúde primário.
Unicef/Preena Shrestha Mulheres mais velhas, em particular, enfrentam desafios e preconceitos adicionais devido às atitudes preconceituosas e à discriminação. Na foto, mulher de 69 anos caminha por uma vila no Nepal

Violação

Estima-se que a cada segundo, uma pessoa no mundo sofra preconceito “moderado ou alto” por se encontrar na terceira idade.

A alta comissária de Direitos Humanos, Michelle Bachelet, afirmou que o preconceito a idosos, conhecido em inglês como “ageism”, prejudica a todos: jovens e idosos.  Ela pediu um combate tenaz ao problema, que classificou de “uma violação fundamental de direitos humanos”.

Para Bachelet, a discriminação a pessoas na terceira idade é quase sempre aceita e abrangente em políticas, legislações e instituições.

Um médico do sexo masculino, de jaleco branco e máscara, entrega medicamentos a uma idosa palestina em Rafah, Gaza, durante a pandemia de COVID-19.
Unrwa/Khalil Adwan Funcionários da saúde em Gaza entregam medicamentos nas casas de idosos palestinos refugiados.

Alto preço

O estudo revela que o preço da discriminação aos idosos é alto. No ano passado, os Estados Unidos calcularam um custo de US$ 63 bilhões anuais com pessoas acima de 60 anos por causa de estereótipos. 

Na Austrália, se 5% a mais de pessoas com 55 anos ou mais velhas tivessem empregadas, haveria um acréscimo de 48 bilhões de dólares australianos à economia, o equivalente a quase US$ 38 bilhões.

O relatório nota que em locais de trabalho, jovens e idosos estão, frequentemente, em desvantagem. E para os mais velhos, as oportunidades de treinamento são menores. Já o preconceito aos mais jovens ocorre nas áreas da saúde, da habitação e políticas que ignoram seus anseios.

Um membro da equipe médica dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), usando equipamento de proteção, caminha pelo corredor de um lar de idosos em Soria, Espanha, com um paciente idoso.
MSF/Olmo Calvo Intervenção em lar de idosos em Espanha

Discriminação dupla

O estudo mostra que a resposta ao Covid-19 demonstrou como o preconceito está amplamente divulgado com estereótipos criados na mídia social. No caso dos idosos, a discriminação é usada como critério único para acesso aos cuidados de saúde, tratamentos vitais e isolamento social.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, diz que o mundo tem que se livrar desses estereótipos ao sair da crise de saúde global impedindo que a discriminação atrapalhe o acesso das pessoas à saúde, à dignidade e ao bem-estar.

Já a chefe do Unfpa, Natalia Kanem, afirma que é preciso tornar a crise da pandemia um momento de mudança sobre a forma como os idosos são vistos e tratados. Para ela, pessoas na terceira idade sofrem uma discriminação dupla que inclui fatores como pobreza, gênero, deficiências e minorias.

O Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, discursa em um evento de imprensa virtual da OMS.
ONU/Evan Schneider Diretor-geral da OMS diz que o mundo tem que se livrar desses estereótipos ao sair da crise de saúde global

Estratégias

O relatório sugere estratégias para combater o racismo como a necessidade de políticas e legislações que enfrentem o tema, com ações educativas que levam a mais empatia e à desconstrução de concepções errôneas. 

O documento cita ainda atividades entre as gerações para reduzir o preconceito com a terceira idade.

As agências da ONU dizem que todos os países e partes interessadas devem lançar mão de estratégias que melhorar a coleta de dados e a pesquisa. 

A meta é uma cooperação multilateral para mudar mentalidades e a forma de enxergar, sentir e agir com relação ao envelhecimento. Com isso, o mundo deverá obter mais progressos na Década da ONU sobre Envelhecimento Saudável.