Portugal: aumento das mulheres em processos de decisão é vantajoso para todos 
BR

18 março 2021

Em conferência anual da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, ministra de Estado e da Presidência de Portugal, Mariana Vieira da Silva, diz que é importante não recuar nas conquistas já alcançadas pela igualdade de gênero; segundo ela, crise socioeconômica pós-pandemia só pode ser vencida com participação das mulheres. 

A paridade de gêneros e a garantia da presença feminina à mesa de decisões políticas é uma condição fundamental para que o mundo alcance mais desenvolvimento e justiça. 

Sem a atuação da mulher nos processos políticos não será possível evoluir para uma sociedade de inclusão digital ou combater a mudança climática. 

Impacto 

A declaração foi dada aos participantes da 65ª. Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW, por Portugal. 

O país foi representado pela ministra de Estado e da Presidência portuguesa, Mariana Vieira da Silva.  

Nesta entrevista à ONU News, de Lisboa, ela fala do risco de a pandemia perpetuar desigualdades de gênero. 

“Nenhuma crise é igual para os homens e para as mulheres porque as crises afetam sempre mais àqueles que já estão mais desprotegidos. Mas essa crise, tem uma dimensão muito maior do que todas as outras, está a ter impacto em todos os países do mundo ao mesmo tempo. Tem impacto em profissões, onde as mulheres estão muitos presentes. E, por isso, nós dedicamos esses dois pontos: por um lado, como é que nós podemos trabalhar para garantir que as mulheres ocupem os seus lugares nos postos de decisão, e por outro: que impacto é esta pandemia pode trazer? Não apenas a pandemia, mas a crise económica e social que se vai seguir na vida das mulheres com a preocupação de não recuarmos, não andarmos para trás no caminho que vinha a ser feito.” 

União Europeia 

Este ano, Portugal representou também a União Europeia na CSW, uma vez que o país ocupa a presidência rotativa do bloco até julho.   

Segundo Mariana Vieira da Silva, uma das parcerias com os demais países europeus é na promoção de mais meninas e mulheres na ciência e na tecnologia, para que elas sejam parte da atual evolução digital. E para a ministra, essas mudanças começam na escola. 

UNDP-Ukraine/Anastasia Vlasova
Portugal também destacou a importância de se combater a violência doméstica e violência de gênero

“O que nós sabemos hoje, o que há alguns anos não sabíamos, é que os países que implementaram essas medidas foram bem-sucedidos. Têm hoje mais mulheres nos Parlamentos, têm mais mulheres nos governos, têm mais mulheres nos Conselhos de Administração. E por isso, já sabemos o que resulta e agora temos que fazer este trabalho.” 

Portugal também destacou na CSW, a importância de se combater a violência doméstica e violência de gênero cujos casos aumentaram pelo mundo durante a pandemia e a maior proximidade dos agressores com as vítimas. 

Violência de gênero 

A ministra de Estado, Mariana Vieira da Silva, conta que o país lançou um serviço de queixas por mensagem de texto, além da linha telefônica que já tinha, para ajudar mulheres em situação de emergência. 

“É muito importante que as mulheres saibam o que fazer, a quem se queixar. E se sintam protegidas nessas primeiras horas depois da queixa que são horas, particularmente, importantes. E estamos na União Europeia, desde a Presidência Alemã, a trabalhar na ideia de uma linha única em toda a Europa. Em que todas as cidadãs, todas as mulheres europeias saibam qual é a linha à qual se possam queixar. E é preciso trabalhar em todas as esferas porque o mais importante é garantir que uma mulher, quando apresenta uma queixa, é apoiada e se sente segura.”  

Fardin Waezi/Unama
Mulher vota em Cabul em 2018

Portugal tem hoje um dos maiores índices de participação de mulheres no governo. Ao todo, são 40% de ministras no gabinete atual.  

Mulheres no comando 

Já a média global de mulheres em Parlamentos é de 25%, segundo dados do Banco Mundial.  

Quando o tema são países liderados por mulheres como chefes de Estado ou governo, existem apenas 22.  

Na reunião da CSW, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que se nada for feito, a paridade entre homens e mulheres no comando de nações pelo mundo só será uma realidade em 2150. 

Para Guterres, a desigualdade de gênero é sobretudo uma questão de poder num mundo cada vez mais comandado por homens. 

 

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