Covid prejudicou latino-americanas e caribenhas no mercado de trabalho, diz Banco Mundial
BR

8 março 2021

Mulheres tiveram maior probabilidade de perder o emprego do que homens; nos próximos 30 anos, disparidades de gênero podem custar 14% do PIB per capita da região, segundo especialistas; relação não inclui o Brasil.

Um novo estudo do Banco Mundial mostra o quanto a Covid-19 agravou as disparidades de gênero no mercado de trabalho da América Latina e Caribe. 

O documento, elaborado pelo Laboratório de Inovação de Gênero do Banco Mundial, usa dados de 13 países, sem incluir o Brasil. Foram feitas três rodadas de entrevistas por telefone entre abril e agosto do ano passado, com uma média de mil pessoas por país. 

Banco Mundial/Victor Idrogo
Disparidade de gênero na força de trabalho pode custar 14% do PIB da região nos próximos 30 anos

Coleta

Mesmo antes da pandemia, já havia progresso a ser feito na América Latina e Caribe. Apenas 53% das mulheres em idade produtiva participavam do mercado de trabalho, contra 77% dos homens. A Covid-19 exacerbou a perda de empregos para todos, mas especialmente para as mulheres, e o recente estudo do Banco confirma isso.

A equipe constatou que, no começo da pandemia, 56% das mulheres e 39% dos homens estavam correndo risco de perder o emprego de forma temporária ou permanente. Essa disparidade se manteve quase inalterada durante o período de coleta de dados. 

Na última rodada de entrevistas, quando aqueles que estavam temporariamente desempregados começaram a retornar ao trabalho, a equipe fez uma nova descoberta: 19% das mulheres, ou uma em cada cinco, já tinham perdido de vez o emprego, contra 12% dos homens.  

Agência Brasil/Marcelo Camargo
Empreendimentos liderados por mulheres tiveram perda média de 59% no faturamento.

Violência doméstica

O relatório indica que 56% dos trabalhos que se foram estavam no comércio, serviços pessoais, educação, hotéis e restaurantes, setores nos quais a participação das mulheres é intensa.  

Também alerta que uma maior disparidade no mercado de trabalho pode prejudicar o empoderamento das mulheres e agravar os casos de violência doméstica.

A participação das mulheres no mercado de trabalho da América Latina e Caribe aumentou de 41% em 1990 para 53% em 2019. 

Essa forte tendência de alta, no entanto, corre o risco de se reverter no contexto atual. E isso afeta não só as mulheres, mas a economia. 

ONU Argentina
Participação das mulheres no mercado de trabalho da América Latina e Caribe aumentou de 41% em 1990 para 53% em 2019

Profissões

Nos próximos 30 anos, as disparidades de gênero podem custar à região cerca de 14% de seu PIB per capita. 

O documento traz algumas recomendações para que as mulheres sejam incluídas nos planos de recuperação econômica pós-pandemia. 

Entre elas, está criar políticas para amenizar o aumento das responsabilidades domésticas que recaem sobre as mulheres. E, também, gerar oportunidades para que elas participem com sucesso em profissões e setores considerados masculinos.

Por Mariana Ceratti, do Banco Mundial Brasil

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Diretora da OMS, médica brasileira ressalta papel das agentes de saúde contra a pandemia

Em entrevista, de Genebra, diretora-geral-assistente da Organização Mundial da Saúde, Mariângela Simão, lembra que mais de 70% dos trabalhadores do setor são mulheres, e que elas fazem a diferença na linha de frente do combate à Covid-19. Responsável pela área de medicamentos e vacinas da OMS, Simão parabenizou enfermeiras, médicas e outras profissionais que atuam há mais de um ano no enfrentamento do novo coronavírus. Confira outras entrevistas com mulheres líderes no especial da ONU News sobre o Dia Internacional da Mulher, marcado em 8 de março.
 

Banco Mundial avalia impacto econômico da pandemia sobre as mulheres

Covid-19 teve efeito direto sobre oportunidades econômicas, segundo relatório “Mulheres, Empresas e o Direito 2021”; Brasil avançou na proteção para as vítimas de violência doméstica durante período de confinamento social; Portugal obteve pontuação máxima nos índices de participação feminina na economia.