Perspectiva Global Reportagens Humanas
Um líder comunitário Warao, Eligio Tejerina, está sentado em uma rede no Abrigo Pintolândia, em Boa Vista, Brasil.

OIM espera que pesquisa sobre indígenas venezuelanos no Brasil inspire auxílio    BR

Acnur/Reynesson Damasceno Eligio Tejerina, líder comunitário Warao no Abrigo Pintolandia em Boa Vista, norte do Brasil

OIM espera que pesquisa sobre indígenas venezuelanos no Brasil inspire auxílio   

ODS

Novo estudo aborda áreas de direitos humanos e planejamento de políticas; parceria com autoridades locais acontece, este mês, em dezenas de municípios de cinco regiões do país.  

A Organização Internacional para Migrações, OIM, realiza este mês uma pesquisa sobre indígenas venezuelanos vivendo em mais de 40 municípios no Brasil. 

Participam os Ministérios da Cidadania, da Mulher, Família e Direitos Humanos, além da Fundação Nacional do Índio, Funai. 

Tradições  

Pelo menos 5 mil indígenas venezuelanos chegaram ao Brasil desde 2016, quando começou o fluxo de refugiados e migrantes por causa da crise na Venezuela. Cerca 65% deles são do grupo étnico Warao. 

Equipes da Matriz de Rastreamento de Deslocamento da OIM já recolhem dados preliminares em cinco regiões brasileiras. A ideia é que essa coleta permita juntar dados sobre a vida dos Warao e de outros indígenas no país. 

 

Razões para migrar, necessidades prioritárias no acesso a serviços como assistência social, segurança alimentar, habitação, saúde, meios de subsistência e educação são alguns dos tópicos. 

De acordo com a porta-voz da OIM Brasil, Julianna Hack, a pesquisa deverá traçar um perfil populacional com características étnicas e culturais de diferentes grupos indígenas que migraram para o Brasil nos últimos anos. 

Políticas  

Já a secretária nacional de Proteção Global do Brasil, Mariana Neris, afirma que a participação contribui sob uma “uma perspectiva de direitos humanos”.  

Uma mãe, Damaris Albino, está em um quarto com seus quatro filhos em Puerto Ordaz, Venezuela.
Ocha/Gemma Cortes Inquérito apura razões para migrar e necessidades prioritárias no acesso a serviços

A expectativa é que os dados ajudem a “formular e implementar políticas públicas para promover e proteger essa população.” 

Depois da fase piloto, em Boa Vista e em Brasília, diferentes cidades acolherão o estudo realizado em parceria com os governos locais.  

A pesquisa sobre os povos indígenas da Venezuela segue-se a uma iniciativa da OIM realizada no estado do Maranhão em 2020.  

Planejamento  

Para o secretário nacional de Assistência Social do Ministério da Cidadania, Miguel Ângelo Oliveira, o trabalho em curso é um instrumento que “permite que o poder público tenha elementos para o planejamento”. 

Esse processo ganhará maior precisão com dados atuais sobre culturas indígenas, segundo o chefe do Escritório da OIM no Brasil. Para Stéphane Rostiaux, a pesquisa permitirá que “todos os envolvidos na resposta humanitária expandam seus conhecimentos sobre a presença dos povos indígenas da Venezuela”. 

Um funcionário do ACNUR demonstra a lavagem das mãos para um grupo de refugiados e migrantes venezuelanos em um abrigo em Manaus, Brasil.
Acnur/Felipe Irnaldo Brasil: refugiados venezuelanos em Manaus aprendem a como se proteger do covid-19.