Angola: sem o trabalho das mulheres, o mundo não poderá vencer a pandemia
BR

6 março 2021

Ex-ministra da Economia e atual primeira-dama do país, Ana Dias Lourenço,  afirma que perdas socioeconômicas são maiores para as mulheres, geralmente responsáveis por cuidar da família e dos doentes; ex-integrante do Painel sobre Igualdade de Gênero na ONU aposta na parceria com homens.

Em um ano de pandemia da Covid-19, o mundo perdeu mais de 2,5 milhões de vidas e registrou retrocessos socioeconômicos que afetaram especialmente as mulheres.

A declaração é da ex-ministra da Economia de Angola e atual primeira-dama do país, Ana Dias Lourenço.

Soluções e medidas

Nesta entrevista à ONU News, de Luanda, para marcar o Dia Internacional da Mulher e o papel da liderança feminina para combater a pandemia, ela ressalta que sem os esforços das mulheres, o mundo não terá como vencer o novo coronavírus.

“A pandemia de Covid-19 permitiu observar que, num momento de profunda angústia, a participação ativa e a resiliência das mulheres é fundamental para a resposta rápida às diferentes situações, de índole social e econômica, impactadas pelas grandes crises. Assistimos à participação ativa de um conjunto de mulheres das diferentes áreas do saber, na busca de soluções, na tomada de medidas e na linha da frente no combate à pandemia e no tratamento dos doentes.”

Angola é um dos primeiros países africanos a receber as doses da vacina contra a Covid-19 na parceira Covax, que reúne 142 países em desenvolvimento.

Unicef/COVAX/Carlos César
Funcionário de saúde de Angola recebe vacina através da iniciativa Covax

Decisões

De acordo com o Ministério da Saúde, um enfrentamento mais pró-ativo da pandemia ajudou a conter a chamada contaminação comunitária em Luanda, capital do país.

Ana Dias Lourenço afirma que a recuperação da pandemia irá requerer um mutirão ainda maior e esforço de todos para reerguer as economias afetadas pela crise global. E para ela, não resta dúvida de que as mulheres terão de ser parte dessas decisões macroeconômicas.

“Temos que nos consciencializar que depois desta pandemia, o grande desafio será o de enfrentar e resolver problemas que nos nossos países se agravaram por força dos confinamentos e da retração econômica. Nomeadamente, a violência doméstica, a violência baseada no género, o desemprego, particularmente o feminino, porquanto são as mulheres que têm mais dificuldades em manter o emprego em situações de crise porque é a elas é pedido que fiquem em casa para cuidar dos filhos e da família.”

Para a ex-ministra da Economia, as perdas da pandemia para as mulheres terão de ser reparadas principalmente na área de sáude sexual e reprodutiva, onde o setor público e privado devem cooperar mais.

“Em particular, as empresas e outras entidades empregadoras a incorporar os princípios da igualdade de género e não-discriminação e da parentalidade. A educação sexual, e o reforço do planeamento familiar e de todas as medidas que possam prevenir a gravidez na adolescência, o acesso aos cuidados pré-natais e ao parto seguro e humanizado constituem uma prioridade nos nossos países e devemos continuar a divulgar para que os governos adotem políticas e programas sustentáveis neste domínio.”

FAO/Celestino Vonjila Essuvo
Agricultora da província angolana do Huambo recebe mensagens sobre propagação da Covid-19.

Igualdade de gênero

Segundo a primeira-dama angolana, a verdadeira igualdade de gênero não é exclusiva, mas sim promove uma parceria entre homens e mulheres na construção de um mundo melhor.

“Estou convicta de que não poderemos alcançar este objetivo sem que consigamos construir uma plataforma de parcerias e solidariedade num contexto nacional e internacional e que tenha fortes raízes no espaço da língua portuguesa no continente africano, mas também no contexto das Organizações das Nações Unidas porque o nosso trabalho só será consequente se o prepararmos para as mulheres e os homens de amanhã.”

Em 2019, Ana Dias Lourenço foi convidada para integrar o Painel de Mulheres Líderes pela Defesa da Igualde de Gênero da Assembleia Geral, pela então presidente da Casa, María Fernanda Espinosa. 

Para marcar este Dia Internacional da Mulher em 8 de março, a ONU News realiza um especial sobre a liderança feminina e o papel das mulheres na linha de frente do combate à Covid-19. Além de Ana Dias Lourenço, o especial traz profissionais de saúde no terreno, autoridades e líderes em Moçambique, Angola, Brasil, Timor-Leste, Portugal, Guiné-Bissau e outras nações de língua portuguesa. 

 

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