Após vários testes, OMS confirma que hidroxicloroquina não serve para evitar Covid-19 
BR

1 março 2021

Painel de especialistas analisou seis ensaios clínicos com mais de 6 mil participantes; segundo eles, pesquisa deve se concentrar em outras possibilidades mais promissoras; após 45 dias consecutivos de queda, casos do novo coronavírus voltaram a subir no mundo.

Um painel de especialistas internacionais da Organização Mundial da Saúde, OMS, afirmou que o medicamento anti-inflamatório hidroxicloroquina não deve ser usado para prevenir a infecção.

Para chegar a essa conclusão, os especialistas, que fazem parte do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes da OMS, analisaram os resultados de seis ensaios clínicos com mais de 6 mil participantes.  

Evidências 

Segundo o painel, a hidroxicloroquina não teve efeito significativo algum sobre os níveis de morte e admissão no hospital. 

UNICEF
A pandemia está mais ativa do que nunca, com média semanal de 1 milhão de novos casos nas Américas.

Ao mesmo tempo, com grau de certeza moderada, é possível concluir que o medicamento não influencia a taxa de infecção e provavelmente aumenta o risco de efeitos adversos. 

O painel afirma que o hidroxicloroquina não é mais uma prioridade de pesquisa. E que a partir de agora, serão avaliadas outras possibilidades mais promissoras.  

Essa recomendação se aplica a todas as pessoas, mesmo as que tiveram contacto com alguém contaminado. Fatores como recursos, viabilidade, aceitabilidade e equidade não alteraram a recomendação. 

Diretivas 

O aconselhamento é a primeira versão de uma diretriz da OMS, com o apoio da Fundação Magic Evidence Ecosystem, sobre tratamento para a Covid-19. O objetivo é fornecer orientação confiável e ajudar os médicos a tomar melhores decisões com seus pacientes. 

As dicas são úteis ainda em áreas de pesquisa ágeis, como a da Covid-19, porque permitem que os pesquisadores atualizem resumos de evidências avaliados por outros profissionais da mesma área. 

Novas recomendações serão adicionadas conforme mais evidências se tornarem disponíveis. 

Vacinação 

Na segunda-feira, Gana e Cote d’Ivoire, também conhecida como Costa do Marfim, começaram a vacinar profissionais de saúde. 

Os países foram os primeiros a iniciar campanhas com doses fornecidas por meio da Covax, a iniciativa da ONU para a distribuição equitativa da vacina em todo o mundo. 

Falando a jornalistas em Genebra, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, informou que mais 11 milhões de doses serão entregues esta semana. Até o final de maio, 237 milhões serão alocadas a 142 países participantes da Covax. 

UNICEF
Homem na Côte d'Ivoire recebendo sua primeira dose da vacina contra Covid-19

Segundo Tedros, “é encorajador ver profissionais de saúde em países de baixa renda começando a ser vacinados”, mas o chefe da OMS lamentou que “isso aconteça quase três meses depois que alguns dos países mais ricos iniciaram a imunização.” 

Para a OMS, “esta é uma crise global que requer uma resposta global consistente e coordenada.” 

Aumento 

Na semana passada, o número de casos de Covid-19 aumentou pela primeira vez depois de cair por seis semanas consecutivas. 

As notificações subiram em quatro das seis regiões da OMS, Américas, Europa, Sudeste Asiático e Mediterrâneo Oriental. Apenas África e Pacífico Ocidental não registraram aumentos. 

Para Tedros, “isso é decepcionante, mas não surpreendente.” 

Ele disse que a agência atua para entender melhor esses aumentos, mas “parte parece ser devido ao relaxamento das medidas de saúde pública, à circulação contínua de variantes e às pessoas baixando a guarda.” 

 

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