ONU diz que mundo deve enviar “sinal claro” contra golpe militar em Mianmar
BR

1 março 2021

Em nota, secretário-geral condenou “fortemente” repressão violenta que causou pelo menos 18 mortes; António Guterres afirmou que uso de força letal com manifestantes pacíficos é inaceitável; junta militar tomou o poder em 1 de fevereiro após a vitória do partido de oposição, NLD, nas eleições.

As Nações Unidas condenaram o excesso de força policial que causou 18 mortes e deixou pelo menos 30 pessoas feridas, no domingo, em Mianmar, a antiga Birmânia.

Em nota, o secretário-geral, António Guterres, disse que a comunidade internacional tem de enviar um “sinal claro” aos militares para que respeitem a vontade do povo, expressa nas urnas, e acabem com a repressão a manifestantes pacíficos.

ONU News
Guterres afirmou que o uso letal da força contra manifestantes pacíficos e as prisões arbitrárias são inaceitáveis

Tribunal

No fim de semana, os birmaneses voltaram às ruas para protestar contra o golpe de Estado de 1 de fevereiro que prendeu a ex-conselheira de Estado e líder da Liga Nacional pela Democracia, NLD, o partido de oposição que venceu as eleições parlamentares com 82% dos votos. Mas os militares alegam que houve fraude no pleito.

Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz, foi presa assim como outros líderes do partido. Segundo agências de notícias, ela apareceu, por vídeo, nesta segunda-feira, num tribunal do país para ser indiciada pelas acusações da Junta Militar. As mortes no domingo marcam o dia mais violento desde o início do golpe.

ONU/Rick Bajornas
Aung San Suu Kyi, líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz

Embaixador

O chefe da ONU afirmou que o uso letal da força contra manifestantes pacíficos e as prisões arbitrárias são inaceitáveis.

Na sexta-feira, o próprio embaixador de Mianmar junto à ONU, em Nova Iorque, havia pedido a condenação da comunidade internacional afirmando que ele estava ali em nome dos parlamentares democraticamente eleitos de seu país. Um dia depois, foi demitido do cargo.

A porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani, condenou a violência e disse que os birmaneses têm o direito de se reunir, pacificamente, e de exigir a restauração da democracia no país. 

Para ela, o uso da força letal para reprimir manifestações pacíficas não pode ser justificado.
Segundo a ONU, mais de 1 mil pessoas foram presas em fevereiro em Mianmar somente por exercerem seu direito fundamental à liberdade de expressão.

 

 

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