Na ONU, embaixador de Mianmar diz que país sofreu mesmo um golpe de Estado
BR

26 fevereiro 2021

Kyaw Moe Tun afirmou que está representando agora os parlamentares eleitos democraticamente no país do sudeste asiático e que não responde pela liderança militar; diplomata se emocionou durante discurso no hall da Assembleia Geral.

A intervenção militar ocorrida em Mianmar, a antiga Birmânia, no início deste mês, foi mesmo um golpe de Estado. A declaração é do embaixador birmanês junto à ONU, Kyaw Moe Tun. A situação no país foi discutida num encontro da Assembleia Geral nesta sexta-feira. 

Atos brutais

Com voz embargada, o embaixador disse que não representava a liderança militar, mas sim a Liga Nacional pela Democracia e os parlamentares democraticamente eleitos do país. O partido Liga Nacional ou LND, na sigla em inglês, é comandado pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, que foi presa durante o golpe, assim como os líderes da sigla.

O diplomata apelou a todos os membros da ONU a condenar a mudança e tomar “todas as medidas possíveis para acabar com os atos brutais e violentos praticados por forças de segurança contra manifestantes pacíficos”. Ele pediu ainda que os países possam ajudar a acabar com o golpe militar imediatamente.

No final, ele fez um gesto adotado pelos manifestantes em Mianmar desde os incidentes no início deste mês.

Unicef/Minzayar Oo
Secretário-geral faz declaração sobre violência em Mianmar

Sinal claro

A sessão na Assembleia Geral sobre a crise contou com uma apresentação da enviada especial ao país, Christine Schraner Burgener.

Ela pediu aos representantes que enviem um sinal claro à junta militar birmanesa contra a intervenção.
Schraner Buergener contou que o Exército no país asiático é quem detém o poder de fato, e que numa democracia de verdade, os militares são controlados pelos civis.

A enviada afirmou que o estado de emergência, declarado pelos militares, representa uma violação clara da constituição. 
Em novembro, a Liga Nacional pela Democracia venceu as eleições com 82% dos votos. O partido já havia sido eleito em 2015, mas dessa vez, recebeu ainda mais votos.

ONU/Rick Bajornas
Aung San Suu Kyi, líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz

Assassinatos políticos

No passado, a junta militar já havia impedido o NLD de assumir o poder. Por isso, Aung San Suu Kyi foi detida pelos militares de 1989 a 2010, grande parte deste período em prisão domiciliar.

Após o golpe, centenas de pessoas foram detidas sem serem indiciadas ou julgadas. Muitas famílias continuam procurando pelos parentes desaparecidos.

A enviada especial afirmou que forças de segurança estão intimidando e assediando manifestantes com atos deliberados para criar instabilidade e insegurança.

Jornalistas e internet

Segundo ela, a libertação de 23 mil prisioneiros associados a assassinatos políticos é uma decisão “lamentável”. Jornalistas e ativistas estão sendo atacados deliberadamente e serviços de internet interrompidos. Muitas testemunhas estão sendo forçadas a depor contra o governo do partido NLD.

Schraner Burgener pediu diálogo e apelou aos Estados-membros da ONU com influência na região que ajudem numa resposta coletiva para evitar uma escalada da brutalidade contra pessoas que somente estão exercendo o direito básico em seu país.
 

 

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