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Pandemia leva 65% dos países pobres a cortar orçamento para educação BR

Alunos usando máscaras sentam-se em carteiras em uma sala de aula na Costa Rica, enquanto um professor escreve em um quadro branco.
Unicef Costa Rica/Priscilla Mora Previsão do Banco Mundial é de uma queda de pelo menos US$ 2 bilhões no auxílio à educação

Pandemia leva 65% dos países pobres a cortar orçamento para educação

Cultura e educação

Dados constam de relatório do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco; em nações de rendas alta e média alta, a redução foi em apenas um terço.

A crise global de Covid-19 afetou em cheio os orçamentos para educação em países de rendas baixa e média baixa. 

Em geral, o auxílio para o setor cresceu 21% nos últimos 10 anos com apenas um período de cortes, entre 2010 e 2014, com os efeitos da crise financeira global.

Adolescentes do sexo feminino, vestindo uniformes escolares, realizam um experimento de química utilizando utensílios de vidro em uma sala de aula da Escola Secundária Kamulanga, em Lusaka, Zâmbia.
Unicef/Karin Schermbrucker Menina na Zâmbia fazendo experiência química na escola

Impacto negativo

Desde 2014, os investimentos se recuperaram aumentando 30% num recorde de quase US$ 16 bilhões em 2019.

Mas com a pandemia, o cenário mudou e mais de 65% dos países mais pobres estão reduzindo o orçamento para as escolas, o que deve provocar um impacto negativo nos próximos anos.

Os dados são do relatório do Banco Mundial e da Unesco, Monitor do Financiamento para Educação, EWF na sigla em inglês.

Segundo os organizadores do documento, os números também indicam as grandes disparidades entre os países ricos e pobres e como o sistema de educação é gerenciado.

Menina indiana estudando online usando um tablet e um caderno durante a pandemia de COVID-19.
Unicef/Panjwani Menina na Índia estudando em casa devido a fechamento de escolas

Diferenças

Antes da crise global da Covid-19, nações de renda alta investiam o equivalente a US$ 8,5 mil por criança ou jovem matriculados. Já nos países pobres, este gasto era de US$ 48. Com a pandemia, as diferenças aumentaram.

O relatório também alerta sobre o risco de um colapso dos recursos necessários para o setor e até mesmo sobre o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.

O financiamento externo é crucial para o apoio à educação nos países mais pobres.

Mas com a crise, os países doadores devem canalizar essa ajuda para suas próprias necessidades domésticas. Além disso, a saúde e outras emergências também precisam de financiamento.

A previsão do Banco Mundial é de uma queda de pelo menos US$ 2 bilhões no auxílio à educação se comparado aos pontos altos 2020, e sem retornar aos patamares de 2018 por pelo menos mais seis anos.

Um homem usando máscara facial desce uma escada metálica amarela em um porto em Manaus, Brasil.
FMI/Raphael Alves Porto de Manaus, Brasil

América Latina e Caribe

Em nota separada, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe, Cepal, divulgou um novo relatório sobre o impacto do coronavírus nas taxas de mortalidade da região.

Em sua nova edição do Observatório Demográfico da América Latina e do Caribe, 2021, a Cepal afirma que a pandemia golpeou as melhorias registradas em índices de expectativa de vida e criou retrocessos em alguns indicadores.

Desde a primeira notificação da Covid-19 no Brasil, em 25 de fevereiro de 2020, a pandemia tem causado inúmeros desafios econômicos e sociais para a região que afetam a luta contra a pobreza, a desigualdade, proteção social e saúde.

Dois profissionais de saúde, trajando equipamentos de proteção individual verdes e máscaras, examinam os resultados dos testes em um corredor do hospital.
ONU Cuba Para os profissionais de saúde, as jornadas de trabalho estão cada dia mais longas e mais pesadas

Os 10 países com mais e menos mortes

O Observatório revela que os 10 países com o maior número de mortes pela Covid-19 até 31 de outubro passado para cada 100 mil habitantes são: Brasil, Peru, Bolívia, Chile, Equador, México, Argentina, Panamá, Colômbia e Bahamas.

Já as nações que registram menos mortes são: Curação, Cuba, Uruguai, Antigua e Barbuda, Jamaica e Trinidad e Tobago.

As taxas de óbito são maiores em grupos de pessoas idosas e em lugares com sistemas de saúde precários.