Guterres diz que 2021 deve ser ano em que o mundo volta ao caminho certo 
BR

19 fevereiro 2021

Em discurso na Conferência de Segurança de Munique, secretário-geral pediu que países do G20 criem plano global de vacinação; chefe da ONU também apelou a que, até novembro, países responsáveis por 90% das emissões se comprometam com neutralidade até 2050. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou esta sexta-feira que os “testes e desafios globais estão ficando maiores e mais complexos.” 

O chefe da organização participou na Conferência de Segurança de Munique, que acontece de forma virtual. Participaram no evento líderes mundiais como a chanceler da Alemanha e os presidentes da França, dos Estados Unidos e do Reino Unido.  

Desafios 

Apesar do aumento dos desafios, António Guterres disse que as respostas da comunidade internacional “continuam fragmentadas e insuficientes.” 

O chefe da ONU declarou que a Covid-19 expôs fissuras e fragilidades profundas, que vão muito além de pandemias e saúde pública. 

António Guterres diz que “2021 é um ano crítico na luta contra a mudança climática”
Pnud/Silke von Brockhausen
António Guterres diz que “2021 é um ano crítico na luta contra a mudança climática”

Segundo ele, a catástrofe climática está se aproximando, a desigualdade e a discriminação estão rasgando o tecido social, a corrupção está destruindo a confiança e a luta pelos direitos das mulheres enfrenta um retrocesso.  

Além disso, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável não estão sendo alcançados, o comportamento no ciberespaço criou novos vetores de instabilidade e até o regime de desarmamento nuclear está se desgastando. 

Para António Guterres, “2021 deve ser o ano para voltar ao caminho certo”. Segundo ele, a recuperação da pandemia é a chance. 

Prioridades 

O secretário-geral destacou quatro prioridades para a comunidade internacional. 

Primeiro, um Plano Global de Vacinação. Guterres disse que o grupo das maiores economias do mundo, G20, está bem posicionado para estabelecer uma Força-Tarefa de Emergência para preparar esse plano. Todo o Sistema das Nações Unidas está disponível para apoiar esse esforço. 

Profissionais de saúde atendem paciente com Covid-19 em Wuhan
Wang Zhihong
Profissionais de saúde atendem paciente com Covid-19 em Wuhan

Em segundo lugar, neutralidade de gases de efeito estufa até meados do século. 

Nesse momento, países que representam mais de 65% das emissões e mais de 70% da economia mundial já assumiram esse compromisso. Agora, Guterres lançou o desafio de se expandir essa aliança para 90% até à Conferência do Clima da ONU, que acontece em novembro em Glasgow. 

Para ele, isso deve começar agora com etapas concretas, como colocar um preço no carbono e acabar com os subsídios a combustíveis fósseis e reinvestir esses fundos em energia renovável e em uma transição justa. 

Tensões 

Em terceiro lugar, Guterres disse que é preciso aliviar as tensões geopolíticas. Segundo ele, não é possível resolver os maiores problemas quando as maiores potências estão em conflito. 

O secretário-geral afirmou que o mundo “não pode permitir um futuro em que as duas maiores economias dividam o globo em duas áreas opostas em uma Grande Fratura.” Segundo ele, nessa situação, cada área teria sua própria moeda dominante, regras comerciais e financeiras, internet e capacidade de inteligência artificial. 

A esse respeito, Guterres também repetiu o apelo por um cessar-fogo global. Ele disse que existem “sinais encorajadores em alguns processos de paz teimosos”, mas que a luta continua em outros lugares. 

As Nações Unidas organizam três eventos especiais para marcar a data
ONU/Mark Garten
As Nações Unidas organizam três eventos especiais para marcar a data

Governança 

Por fim, em quarto lugar, o chefe da ONU disse que é hora de redefinir a governança global para o século 21. 

Guterres lembrou que “os acordos de segurança coletiva adotados há mais de 75 anos evitaram uma terceira guerra mundial”, mas que agora é preciso que esses princípios comuns resistam no século 21. 

Para ele, “isso significa assegurar novas maneiras de fornecer bens públicos globais, para construir uma globalização justa e resolver desafios comuns.” 

O secretário-geral afirmou, no entanto, que não são precisas novas burocracias. 

Segundo ele, a resposta é “um multilateralismo em rede que conecta organizações globais e regionais, entidades econômicas e políticas, envolvendo empresas, cidades, universidades e movimentos pela igualdade de gênero, ação climática e justiça racial.” 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud