Leste da RD Congo na iminência de uma tragédia humanitária com reaparecimento do ebola
BR

9 fevereiro 2021

ONU indica que cerca de 20 milhões de pessoas vão precisar de assistência humanitária em 2021; no ano passado, assistência dos parceiros e doadores beneficiou 6 milhões de pessoas; falta de acesso aos serviços básicos é agravado pelos desafios da violência, epidemias, desastres naturais e impacto da Covid-19.

A Coordenação Humanitária das Nações Unidas na República Democrática do Congo, RD Congo, alerta sobre uma possível deterioração da situação humanitária no país se a assistência não for fornecida a tempo para atender às necessidades básicas dos mais vulneráveis.

O apelo surge num momento em que o Ministério da Saúde anuncia que um novo caso de ebola foi detectado na localidade de Butembo, província do Kivu Norte.  A cidade foi um dos epicentros da doença e onde a declaração do fim do surto anterior ocorreu no ano passado.

Surto

O Instituto Nacional da Pesquisa Biomédica confirmou o caso através da observação da amostra de uma mulher, esposa de um sobrevivente do ebola. A paciente, que já faleceu, procurou tratamento no centro de saúde de Butembo após apresentar sintomas.

Unicef/Thomas Nybo
Filho visita mãe em centro de tratamento para ebola

A Organização Mundial da Saúde, OMS, apoia os esforços de resposta ao surto através de treinamento dos técnicos de laboratório, rastreadores de contato e equipas de vacinação local. Os trabalhos, que incluem a conscientização de grupos comunitários e a implementação do Programa Sobrevivente do Ebola, são liderados pelas autoridades de saúde provincial.

Resposta

Segundo a diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, a perícia e a capacidade das unidades de saúde locais foram determinantes para detectar o novo caso e responder a tempo. 

Moeti disse que “a agência fornece apoio as autoridades para rastrear, identificar e tratar os contatos” e que “não é incomum que casos esporádicos ocorram na sequência de surtos maiores”. 

Especialistas da OMS monitoram os casos na região, mais de 70 contatos já foram identificados e a desinfecção dos lugares visitados pela paciente está em curso. Amostras foram enviadas ao laboratório principal do Instituto em Kinshasa para sequenciar o genoma, identificar a cepa e determinar sua ligação com o surto anterior.

O décimo surto da febre hemorrágica no país durou cerca de dois anos, foi o segundo maior no mundo e resultou em 3481 casos, 2299 mortos e 1162 sobreviventes. A resposta foi particularmente desafiadora devido à insegurança nas regiões afetadas. 

Acnur/Fabien Faivre
RD Congo também abriga 527 mil refugiados de países vizinhos, como esta mulher da República Centro-Africana

Vulnerabilidades

Em nota, coordenador humanitário da ONU na RD Congo considera complexa e profunda a crise humanitária, estimando que 19,6 milhões de pessoas vão precisar de assistência e proteção em 2021. No início do ano passado, eram 15.6 milhões. 

Mais de 3.4 milhões de crianças menores de cinco anos vão sofrer subnutrição aguda entre janeiro e junho deste ano.

Para o coordenador, David MacLachlan-Karr, “os conflitos armados continuam a ter impacto sobre a população já muito vulnerável e cujos ganhos são frágeis.”

Ele disse ser preciso “a contribuição generosa dos doadores para financiar o Plano de Resposta Humanitária, salvar vidas, levar os serviços básicos aos necessitados e reforçar a proteção de milhões de pessoas afetadas pela crise.”   

A RD Congo é o segundo país com maior número de deslocados no mundo, cerca de 5,2 milhões. Também abriga 527 mil refugiados de países vizinhos. 

 

*De Bissau para a ONU News, Amatijane Candé.

 

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