ONU preocupada com relatos de uso de força contra manifestantes em Mianmar BR

Cidade de Yangor, em Mianmar, onde estão decorrendo protestos
ONU News/Nyi Teza
Cidade de Yangor, em Mianmar, onde estão decorrendo protestos

ONU preocupada com relatos de uso de força contra manifestantes em Mianmar

Direitos humanos

Vários manifestantes teriam sido feridos, alguns deles de forma grave, na capital, Nay Pyi Taw, Mandalai e outras cidades; na semana passada, militares tomaram o poder após alegarem fraude nas eleições de novembro. 

As Nações Unidas expressaram esta terça-feira grande preocupação com relatos de uso de força por policiais e militares contra manifestantes, em Mianmar.

De acordo com os relatos, várias pessoas foram feridas, alguns delas de forma grave, na capital, Nay Pyi Taw, Mandalai e outras cidades do país. 

Apelo

Na semana passada, militares tomaram o poder após alegarem fraude nas eleições de novembro que deram vitória ao partido Liga Nacional para a Democracia, de Aung San Suu Kyi. A conselheira de Estado faz parte das dezenas de cidadãos, incluindo líderes políticos e parlamentares, que foram presos. 

UIP recebeu relatos de violações dos direitos humanos contra 55 parlamentares eleitos entre eles, a prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi
ONU/Rick Bajornas
UIP recebeu relatos de violações dos direitos humanos contra 55 parlamentares eleitos entre eles, a prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi

Em nota, o coordenador residente da ONU no país, Ola Almgren, pediu “às forças de segurança que respeitem os direitos humanos e as liberdades fundamentais, incluindo o direito à reunião pacífica e à liberdade de expressão.”

Segundo ele, “o uso de força desproporcional contra os manifestantes é inaceitável.”

Almgren lembrou as palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, pedindo que a liderança militar respeite a vontade do povo de Mianmar, com quaisquer diferenças sendo resolvidas por meio do diálogo pacífico.

Nações Unidas

Na semana passada, o Conselho de Segurança realizou uma reunião de emergência sobre a situação no país asiático.  

Na sessão, a enviada especial do secretário-geral para o país, Christine Schraner Burgener, exortou o órgão a fazer pressão para evitar que a situação se agrave. 

Em nota publicada pelo porta-voz, o secretário-geral pediu “que a comunidade internacional fale a uma só voz.”  

Cidade de Rangum, em Mianmar, onde os militares tomaram o poder
Banco Mundial/Markus Kostner
Cidade de Rangum, em Mianmar, onde os militares tomaram o poder

Guterres expressou sua preocupação com transferência de todos os poderes legislativos, executivos e judiciais para os militares. Segundo ele, “esses acontecimentos representam um golpe sério nas reformas democráticas em Mianmar.”

O secretário-geral afirmou ainda que as eleições gerais, que aconteceram em 8 de novembro de 2020, fornecem “um forte mandato à Liga Nacional para a Democracia, refletindo a vontade clara do povo de Mianmar de continuar no caminho duramente conquistado da reforma democrática.”

O presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir, também se juntou às vozes pedindo a libertação imediata dos líderes políticos detidos.

Em sua conta oficial no Twitter, Bozkir disse que “as tentativas de minar democracia e o Estado de direito são inaceitáveis.” Segundo ele, “os líderes militares devem aderir às normas democráticas e respeitar as instituições públicas e a autoridade civil.”

Em nota, a alta comissária para os direitos humanos, Michelle Bachelet, alertou para a presença de segurança nas ruas da capital e outras cidades, dizendo que “há medos profundos de uma repressão violenta contra vozes dissidentes.”