ONU preocupada com relatos de uso de força contra manifestantes em Mianmar
BR

9 fevereiro 2021

Vários manifestantes teriam sido feridos, alguns deles de forma grave, na capital, Nay Pyi Taw, Mandalai e outras cidades; na semana passada, militares tomaram o poder após alegarem fraude nas eleições de novembro. 

As Nações Unidas expressaram esta terça-feira grande preocupação com relatos de uso de força por policiais e militares contra manifestantes, em Mianmar.

De acordo com os relatos, várias pessoas foram feridas, alguns delas de forma grave, na capital, Nay Pyi Taw, Mandalai e outras cidades do país. 

Apelo

Na semana passada, militares tomaram o poder após alegarem fraude nas eleições de novembro que deram vitória ao partido Liga Nacional para a Democracia, de Aung San Suu Kyi. A conselheira de Estado faz parte das dezenas de cidadãos, incluindo líderes políticos e parlamentares, que foram presos. 

ONU/Rick Bajornas
Aung San Suu Kyi, líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz

Em nota, o coordenador residente da ONU no país, Ola Almgren, pediu “às forças de segurança que respeitem os direitos humanos e as liberdades fundamentais, incluindo o direito à reunião pacífica e à liberdade de expressão.”

Segundo ele, “o uso de força desproporcional contra os manifestantes é inaceitável.”

Almgren lembrou as palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, pedindo que a liderança militar respeite a vontade do povo de Mianmar, com quaisquer diferenças sendo resolvidas por meio do diálogo pacífico.

Nações Unidas

Na semana passada, o Conselho de Segurança realizou uma reunião de emergência sobre a situação no país asiático.  

Na sessão, a enviada especial do secretário-geral para o país, Christine Schraner Burgener, exortou o órgão a fazer pressão para evitar que a situação se agrave. 

Em nota publicada pelo porta-voz, o secretário-geral pediu “que a comunidade internacional fale a uma só voz.”  

Banco Mundial/Markus Kostner
Cidade de Rangum, em Mianmar, onde os militares tomaram o poder

Guterres expressou sua preocupação com transferência de todos os poderes legislativos, executivos e judiciais para os militares. Segundo ele, “esses acontecimentos representam um golpe sério nas reformas democráticas em Mianmar.”

O secretário-geral afirmou ainda que as eleições gerais, que aconteceram em 8 de novembro de 2020, fornecem “um forte mandato à Liga Nacional para a Democracia, refletindo a vontade clara do povo de Mianmar de continuar no caminho duramente conquistado da reforma democrática.”

O presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir, também se juntou às vozes pedindo a libertação imediata dos líderes políticos detidos.

Em sua conta oficial no Twitter, Bozkir disse que “as tentativas de minar democracia e o Estado de direito são inaceitáveis.” Segundo ele, “os líderes militares devem aderir às normas democráticas e respeitar as instituições públicas e a autoridade civil.”

Em nota, a alta comissária para os direitos humanos, Michelle Bachelet, alertou para a presença de segurança nas ruas da capital e outras cidades, dizendo que “há medos profundos de uma repressão violenta contra vozes dissidentes.”

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Chefe da ONU condena detenção de Aung San Suu Kyi e líderes políticos de Mianmar

Conselheira de Estado, presidente e outros dirigentes foram presos no domingo, quando militares tomaram o poder; secretário-geral diz que acontecimentos representam um golpe sério nas reformas democráticas do país asiático.