OMS pede aumento massivo na produção de vacinas contra Covid-19 
BR

5 fevereiro 2021

Agência defende compartilhamento de dados para que outros fabricantes possam produzir imunizantes; esta semana, número de vacinações ultrapassou o total de infecções relatadas em todo o mundo.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, pediu esta sexta-feira um “aumento massivo” na produção de vacinas contra a Covid-19.

Falando a jornalistas em Genebra, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, disse que as empresas farmacêuticas podem emitir licenças autorizando que outros produtores fabriquem sua vacina, como foi feito com tratamentos para HIV e hepatite C.

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Na semana passada, a Sanofi anunciou que disponibilizaria sua infraestrutura de fabricação para apoiar a produção da vacina Pfizer / BioNTech. O chefe da OMS pediu que outras empresas sigam esse exemplo.

Ele lembrou que os fabricantes receberam financiamento público, por isso devem ser incentivados a compartilhar seus dados e tecnologia para garantir o acesso equitativo global às vacinas.

Unicef/Kuldeep Rohilla
Na Índia, funcionários de saúde estão entre os primeiros a receber a vacina, como recomenda OMS

Tedros destacou o mecanismo que a OMS criou para esse feito, o C-TAP, que permite o licenciamento voluntário de tecnologias de uma forma não exclusiva e transparente.

Esse compartilhamento pode permitir o uso imediato da capacidade de produção inexplorada e ajudar a construir bases de manufatura adicionais, especialmente na África, Ásia e América Latina.

Segundo o chefe da OMS, “a expansão global da produção também tornaria os países pobres menos dependentes das doações dos mais ricos.” Ele também aplaudiu os fabricantes que se comprometeram a vender suas vacinas a preço de custo. 

Vacinação 

Esta semana, o número de vacinações ultrapassou o número de infecções relatadas em todo o mundo. Para Tedros, essa é “uma conquista notável em um período de tempo tão curto.”

Apesar desse avanço, mais de três quartos das vacinas foram dadas em apenas 10 países que representam quase 60% do Produto Interno Bruto, PIB, global. Cerca de 130 países, com 2,5 bilhões de pessoas, ainda não administraram uma única dose.

Na quarta-feira, a iniciativa Covax divulgou sua previsão de distribuição de vacinas aos países participantes. Os países estão prontos, mas as vacinas ainda não estão disponíveis.

Tedros lembrou que alguns países já vacinaram grandes proporções de sua população com risco menor de doenças graves ou morte. Segundo ele, agora, “a melhor maneira de proteger a população é compartilhar as vacinas para que outros países possam fazer o mesmo.”

Tedros contou que, quanto mais tempo leva para vacinar aqueles que estão em maior risco, mais oportunidades o vírus tem de sofrer mutação e se tornar resistente à vacina.

Ele também pediu às empresas que compartilhem seus dossiês com a OMS de maneira mais rápida e completa, para que os produtos possam ser incluídos na lista de uso de emergência.

Foto ONU/Eskinder Debebe
Secretário-geral conversou com capitão Tom Moore no ano passado

Tom Moore

No início desta semana, o capitão Sir Tom Moore, do Reino Unido, morreu com Covid-19.

No ano passado, semanas antes do 100º aniversário, Moore decidiu arrecadar £1000 para o Serviço Nacional de Saúde completando 100 voltas em seu jardim. Ele acabou angariando mais de £ 30 milhões.

Para Tedros, o capitão representa dois aspectos. Primeiro, que todos podem fazer a diferença. Em segundo lugar, o valor que deve ser dado aos idosos.

Ele lembrou que “há uma narrativa perturbadora em alguns países de que não há problema se pessoas mais velhas morrerem.” Segundo o chefe da OMS, esse conceito está errado, porque “ninguém é dispensável” e “cada vida é preciosa, independentemente de idade, sexo, renda, status legal, etnia ou qualquer outra coisa.” 

 

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