Unicef: situação em Tigray, na Etiópia, é "profundamente preocupante"   BR

Crianças da Eritreia brincam em assentamento de Adi Harush em Tigray
Acnur/Chris Melzer
Crianças da Eritreia brincam em assentamento de Adi Harush em Tigray

Unicef: situação em Tigray, na Etiópia, é "profundamente preocupante"  

Ajuda humanitária

Cerca de 1,3 milhão de meninos e meninas em idade escolar continuam fora da escola; taxa de desnutrição aguda severa pode colocar em risco a vida de 70 mil crianças; chefe do Unicef pede mais acesso para agências humanitárias.  

A situação das crianças em Tigray, na Etiópia, onde decorre um conflito entre forças regionais e tropas do governo federal, há 12 semanas, é profundamente preocupante. 

A declaração é da diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Henrietta Fore diz ainda que se sabe muito pouco sobre o impacto do conflito. 

Refugiados recém-chegados de Tigray, na Etiópia, trazem suprimentos para abrigo no campo de Raquba, em Kassala, no Sudão
Refugiados de Tigray, na Etiópia, no campo de Raquba, em Kassala,no Sudão, Unfpa/Sufian Abdul-Mouty

Serviços  

Segundo a agência, todas as campanhas de vacinação pararam na região. A infraestrutura civil, incluindo instalações de saúde, foi danificada ou destruída e suprimentos essenciais saqueados. Também há pouco combustível para operar sistemas de água e saneamento. 

Além disso, as crianças na maior parte da Etiópia voltaram à escola após a suspensão das restrições à Covid-19, mas os 1,3 milhão de crianças em idade escolar em Tigray continuam sem aulas. 

Há relatos de 300 crianças desacompanhadas ou separadas entre os refugiados que fugiram para o Sudão.  

Subnutrição 

Uma avaliação realizada por parceiros do Unicef, na área de Shire, mostrou taxas de desnutrição aguda severa de até 10% entre crianças menores de cinco anos.  

Esse valor está muito acima do limite de emergência da Organização Mundial da Saúde, OMS, de 3%, e pode colocar em risco a vida de até 70 mil crianças. O nível global de desnutrição aguda era de até 34%.  

A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, pediu aos governos e às empresas que ajudem a manter as crianças seguras na internet aumentando as ferramentas de proteção. 
A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, pediu mais acesso para humanitários, ONU/Loey Felipe

Por 12 semanas, a comunidade humanitária internacional teve acesso muito limitado às populações.  Henrietta Fore afirma que se sabe pouco sobre a situação e que isso é ainda mais preocupante. 

Abertura 

Segundo ela, “a abertura pequena, mas crucial, que permitiu ao Unicef e seus parceiros despacharem 29 caminhões com suprimentos de emergência para nutrição, saúde e proteção infantil foi um passo na direção certa, mas longe do nível de acesso e escala que é realmente necessário.” 

Para Fore, restaurar serviços essenciais também é fundamental. Ela diz que, para isso acontecer, os salários dos funcionários públicos precisam ser pagos e o pessoal humanitário deve ter acesso para avaliar necessidades, identificar prioridades e prestar serviços. 

A chefe do Unicef afirma ainda que “todas as partes no conflito têm a obrigação fundamental de permitir o acesso rápido, desimpedido e sustentado aos civis que precisam de assistência.”