Guterres: investimentos para adaptação climática devem integrar recuperação da Covid-19
BR

25 janeiro 2021

Chefe da ONU participou da Cúpula de Adaptação do Clima e pediu compromissos de mitigação e neutralidade em carbono antes da realização da Conferência sobre Mudança Climática, COP-26, marcada para Glasgow, na Escócia, neste fim de ano.

O secretário-geral da ONU afirmou na Cúpula de Adaptação do Clima que a pandemia da Covid-19 ensinou ao mundo que não é mais possível ignorar riscos conhecidos.

Ele discursou no evento com o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, e do ex-chefe da ONU, Ban Ki-moon.

Foto ONU/Mark Garten
O chefe da ONU cita a Organização Meteorológica Mundial, OMM, que nos últimos 50 anos registrou mais de 11 mil desastres naturais

Razão

Para Guterres, a ciência não pode ser mais clara com relação à emergência do clima. Ele citou os eventos climáticos sem precedentes que afetam todos os continentes.

O chefe da ONU cita a Organização Meteorológica Mundial, OMM, que nos últimos 50 anos registrou mais de 11 mil desastres naturais. Os danos causados ultrapassaram a marca de US$ 3,6 trilhões.

A agência afirma que, na última década, mais de 410 mil pessoas morreram, a vasta maioria em países de rendas baixa e média.

Para Guterres, esta é razão pela qual se deve avançar com adaptação do clima e resiliência.

Segundo ele, é preciso incluir políticas de baixo carbono e alta resiliência nos planos de recuperação da Covid-19. E esta não pode ser uma ação somente para os países desenvolvidos.

Banco de Imagens Coral Reef/Tracey Jen
Peixes nas Ilhas Salomão, um dos locais mais afetados pela mudanças climática

Economias

O secretário-geral explica que os países em desenvolvimento de rendimento médio não têm os recursos para relançar suas economias de forma inclusiva e sustentável.

António Guterres fala de cinco prioridades para garantir a adaptação e resiliência.

Em primeiro lugar: países doadores e bancos nacionais, multilaterais e regionais precisam aumentar, de forma dramática, o volume do financiamento dessas ações. 

Um cálculo do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, sugere que essa conta somente para os países em desenvolvimento poderia ser de US$ 70 bilhões. 
Mas em 2030, esse número poderia chegar a US$ 300 bilhões e até US$ 500 bilhões em 2050. 

Unsplash/Adam Marikar
Guteres pediu um compromisso até a realização da COP-26 marcada para Glasgow

COP-26

Ele sugere que a metade de toda a parte do financiamento, de responsabilidade dos países desenvolvidos e bancos multilaterais, seja alocada à adaptação e resiliência em nações em desenvolvimento.

Guterres afirma que este é um trabalho que não pode ser negligenciado. Não existe metade da adaptação.

Ele pediu um compromisso até a realização da COP-26, a Conferência sobre Mudança Climática, marcada para Glasgow, no fim deste ano. E o cronograma de realização dessas metas seria até 2024.

O secretário-geral reiterou que os países desenvolvidos têm de cumprir os compromissos assumidos no Acordo de Partis de mobilizar US$ 100 bilhões, por ano, para mitigar a mudança climática em países em desenvolvimento. Um esforço que deve partir dos setores público e privado.

Em segundo lugar, Guterres lembra que todas as decisões sobre provisões de orçamento e investimento têm de ser resilientes ao clima. O risco ambiental tem de ser uma cláusula em cada processo de licitação especialmente para infraestrutura.

Ocha/Danielle Parry
Em países de baixa renda, como as Fiji, que foram atingidas por um ciclone em 2016, as taxas de mortalidade são maiores

Sistema de alerta

Como terceiro ponto, ele ressalta a necessidade de se aumentar instrumentos financeiros contra desastre como o Seguro de Risco e Catástrofe do Caribe e a da África.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, lembrou que para cada dólar investido na resiliência climática, são poupados US$ 6.

Em quarto lugar, Guterres defende que o acesso ao financiamento deve ser facilitado principalmente para os mais vulneráveis, que também precisam de alívio da dívida externa. Ele lembrou que os países menos desenvolvidos do mundo estão na linha de frente do risco de desastres naturais.

E por último, António Guterres afirma que é preciso apoiar iniciativas regionais de resiliência e adaptação.

Para ele, este apoio é uma obrigação moral, social e econômica.

Atualmente, uma em cada três pessoas não dispõe de um sistema de alerta sobre riscos. Um estudo da Comissão Global de Adaptação revela que um alerta de 24 horas sobre uma tempestade ou onda de calor pode ajudar a reduzir os prejuízos em 30%.
 

 

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