ONU preocupada com condições de segurança em acampamento na Síria 
BR

22 janeiro 2021

Pelo menos 12 pessoas foram mortas somente na primeira quinzena do ano em Al Hol, localizado no nordeste do país; 80% dos moradores são mulheres e crianças; chefe da ONU anunciou criação de painel para ajudar a proteger alvos humanitários de bombardeios e ataques. 

As Nações Unidas estão preocupadas com a situação da insegurança no maior acampamento da Síria. Somente em 14 dias, 12 pessoas foram assassinadas no local. 

As vítimas fatais no campo de Al Hol eram sírias e iraquianas. 

Acampamento de Al Hol, na Síria, abriga atualmente mais de 60 mil pessoas, Unicef/Delil Soleiman

Preocupação 

Com quase 62 mil residentes, Al Hol é o maior campo de refugiados e deslocados internos da Síria. Mais de 80% são mulheres e crianças que fugiram em busca de proteção e assistência humanitária. 

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, disse que a ONU está muito preocupada com a deterioração das condições do assentamento.  

Segundo Jens Laerke, além de uma trágica perda de vidas, o aumento da violência também coloca em risco a capacidade da ONU e dos parceiros humanitários de prestar assistência humanitária essencial aos residentes com segurança. 

Al Hol recebe ajuda de emergências e cuidados primários de saúde, água, abrigo, distribuição de alimento, higiene e proteção. 

Apelo 

Enviado especial para a Síria, Geir Pederson, by Foto ONU/Loey Felipe

Em nota, o coordenador humanitário na Síria, Imran Riza, e o coordenador humanitário regional para a crise na Síria, Muhannad Hadi, afirmam que “a segurança e o bem-estar das pessoas em Al Hol é de extrema importância e todas as partes relevantes devem garantir a proteção dos residentes do campo e trabalhadores humanitários.” 

Eles também dizem que é preciso encontrar soluções duradouras para as pessoas no assentamento.  

Painel 

Na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou um Painel Consultivo Sênior independente que deve ajudar a proteger os trabalhadores humanitários. 

Em abril do ano passado, António Guterres apresentou uma carta ao Conselho de Segurança com as conclusões de um relatório sobre incidentes e fez uma série de recomendações, incluindo a criação deste novo painel. 

O ex-funcionário da ONU, Jan Egeland será o presidente do painel, que inclui ainda a ex-alta comissária assistente do Acnur, Erika Feller, e a ex-coordenadora humanitária regional da ONU para a Síria, Radhouane Noucier.  

Conselho de Segurança 

Também essa semana, o enviado especial do secretário-geral para a Síria, Geir Pedersen, disse ao Conselho de Segurança que “um lento tsunami” está “atingindo a Síria”. 

Depois de uma década de conflito, colapso econômico agravado pela Covid-19, corrupção e má gestão, “milhões dentro do país e milhões de refugiados estão lutando contra traumas profundos, pobreza opressora, insegurança pessoal e falta de esperança.” 

Pederson contou que mais de oito em cada 10 pessoas vivem na pobreza no país. O Programa Mundial de Alimentos, PMA, informou que 9,3 milhões sofrem de insegurança alimentar. 

Ele afirma que a realização de eleições livres, como determinado na resolução do Conselho de Segurança 2254, ainda “está longe de acontecer”. 

 

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