Cerca de 1,8 bilhão de pessoas dependem de instalações de saúde onde falta água
BR

14 janeiro 2021

Ausência do serviço coloca pessoal de saúde e pacientes sob alto risco de contraírem a Covid-19 e outras infecções; alerta é da Organização Mundial da Saúde e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Em todo o mundo, cerca de 1,8 bilhão de pessoas estão sob maior risco de se contaminarem com o novo coronavírus que em qualquer outra parte do globo. A razão é a falta d’água em instalações de saúde utilizadas por elas.

Em comunicado, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que trabalhar nessas condições é o mesmo que enviar enfermeiros e médicos aos hospitais sem equipamentos de proteção.

Unicef/Michele Sibiloni
Funcionário de um centro de saúde em Uganda limpa o chão usando uma mistura de cloro e água para prevenir infecções. Serviços adequados de água, saneamento e higiene nas instalações de saúde são vitais para proteger as populações contra infecções.

Prevenção e controle

O alerta foi feito, nesta quinta-feira, pela OMS e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. 

Os serviços de água, saneamento básico e higiene são fundamentais para vencer a Covid-19. Para Tedros, a situação é grave nos países menos desenvolvidos.

Os dados são do Relatório Global sobre Instalações de Saúde WASH, que é a sigla em inglês para Água, Saneamento e Higiene. 

O problema é evidenciado pelos riscos de contaminação nesses locais e a falta de prevenção e controle adequados da pandemia.

Em todo o mundo, uma e cada quatro instalações hospitalares não tem água corrente. E uma em cada três não oferece recursos para a lavagem de mãos. Pelo menos 10% desses locais são desprovidos de saneamento básico e 30% não descartam o lixo hospitalar de forma segura.

Unicef Brasil/Yareidy_Perdomo
Sem serviços de saneamento é difícil manter os hábitos de higiene recomendados para evitar a propagação da Covid-19

Resistência antimicrobiana

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, afirma que essa situação já colocava pacientes e pessoal de saúde em risco antes da pandemia, mas depois da Covid-19 se tornou impossível continuar ignorando esses problemas.

Nos 47 países menos desenvolvidos do mundo, uma em cada duas clínicas não tem água potável e em 25% das instalações de saúde não se pode fazer a higiene das mãos. Três de cada cinco são desprovidas de saneamento básico. 

Mas para o relatório da OMS e do Unicef, a situação pode ser resolvida com apenas US$ 1 per capita por dia, que ajudaria essas 47 nações a construírem esses serviços. Em média, apenas 20 centavos de dólares por dia ajudam a manter as operações dessas clínicas nesses países.

O relatório recomenda mais investimentos para melhorar a higiene das instalações e dos usuários o que por si é uma forma de combater a resistência antimicrobiana.

© Unicef/Kinny Siakachoma/OutSe
Em 2020, moradores de um vilarejo na Zâmbia acessam água limpa de um poço comunitário pela primeira vez

Resposta da Covid-19

O documento revela quatro passos que podem ser dados como implementar mapas nacionais com financiamento apropriado, monitorar os avanços das operações de água, saneamento e higiene, criar uma força de trabalho na saúde que mantenha esses serviços e promova a higiene e integrar essas ações no planejamento, orçamento e programa da resposta da Covid-19.

Até o ano passado, mais de 130 parceiros já tinham destinado recursos aos projetos incluindo 34 que prometeram US$ 125 milhões.

O relatório foi feito em 165 países com base em pesquisas de 760 mil instalações de saúde.
 

 

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