Porta-voz fala sobre morte de boina-azul na República Centro-Africana
BR

13 janeiro 2021

Em declaração à ONU News, da capital Bangui, Vladimir Monteiro relata o ataque que tirou a vida do soldado de paz de Ruanda, que atuava nas forças da Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana, Minusca.

Um boina-azul das Nações Unidas morreu e outro ficou ferido num atentado que aconteceu na manhã desta quarta-feira nos arredores da cidade de Bangui, na República Centro-Africana. Vladimir Monteiro, porta-voz da Minusca, a Missão de Paz da ONU no país, disse que tropas de paz e as Forças Armadas da África Central conseguiram conter o ataque destes grupos armados.

“Esta quarta-feira foi um dia triste para a Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana. Perdemos um capacete azul durante violentos confrontos que eclodiram, esta manhã, na capita Bangui. Elementos armados membros daquela aliança de quatro grupos armados do antigo presidente tentaram se infiltrar na capital a partir de três localidades. Mas os capacetes azuis em apoio às forças de defesa e segurança da República Centro-Africana conseguiram travar esta tentativa. Os combatentes armados tiveram perdas. Houve prisioneiros. Houve também apreensão de armas. Nós continuaremos o nosso trabalho. O representante especial do secretário-geral das Nações Unidas na República Centro-Africana, obviamente apresentou as condolências à família (da vítima) e ao governo do Ruanda e também reafirmou a determinação da Missão em continuar a implementar o mandato de proteção das populações e da segurança do processo eleitoral.”

Conselho de Segurança condena ataques

Em nota à imprensa, o Conselho de Segurança informou que recebeu um briefing do subsecretário-geral para Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, sobre a situação no país. O órgão da ONU condenou com veemência os ataques à capital centro-africana Bangui, que resultaram no assassinato do boina-azul de Ruanda.

Os membros do Conselho também expressaram suas mais profundas condolências à família do militar assim como a Ruanda e aos integrantes da Minusca. A onda de violência após a realização das eleições presidenciais de 27 de dezembro está causando a fuga de dezenas de milhares de pessoas para os países vizinhos como Chade e Camarões.

O Conselho de Segurança afirmou que quaisquer diferenças devem ser resolvidas por meios pacíficos.

Foto ONU/Herve Serefio
Boinas-azuis patrulham nordeste da República Centro-Africana

Chefe da ONU fala em crime de guerra

Em nota, o secretário-geral disse que os ataques a soldados de paz da ONU podem configurar crime de guerra. Ele pediu às autoridades da República Centro-Africana que tomem todas as medidas necessárias para assegurar prestação de contas para esses ataques hediondos.
António Guterres permanece “muito preocupado” com a desestabilização de grupos armados no país africano e pediu a todos que parem com a violência e adotem um diálogo relevante que leve à paz.
 

 

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