Agência da ONU teme que branqueamento de corais “se torne normal”
BR

29 dezembro 2020

Em relatório, divulgado este mês, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, diz que tendência se acentuou em 2014 por causa do excesso de calor naquele ano; fenômeno começou no Pacífico e se espalhou rapidamente pelos Oceanos Índico e Atlântico.

Uma agência da ONU está preocupada com a situação dos recifes de corais em todo o mundo. Um fenômeno chamado terceiro evento global de branqueamento de corais durou 36 meses e foi designado o mais longo e destrutivo já ocorrido.

O caso começou em 2014, quando recifes de corais espalhados pelo globo perderam as cores vibrantes por causa de um excesso de calor naquele ano. O problema foi detectado no Oceano Pacífico, depois no Índico e por último no Atlântico. 

Coral Reef Image Bank/Jayne Jenk
Uma tartaruga nada por um recife de coral nas Maldivas

Efeito estufa

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, o branqueamento em massa dos corais poderia se transformar “em norma nas próximas décadas.”

O relatório, divulgado em novembro, atualizou modelos climáticos que preveem o branqueamento ocorrendo mais rapidamente no futuro. Os cientistas alertam que somente uma redução das emissões que causam o efeito estufa poderiam salvar os corais.

Os recifes são fundamentais para a vida marinha, existências humanas e para o espetáculo de vastas partes de oceanos ainda não exploradas.

Foto: Pnuma/Jerker Tamelander
Os recifes de coral são os ecossistemas marinhos mais biodiversos do mundo.

2034-2045

O documento examinou as condições de branqueamento baseadas em dois possíveis cenários. O primeiro considera uma economia mundial fortemente dirigida por combustíveis fósseis. Já o segundo imagina um meio termo, no qual os países excederiam suas promessas de limitar emissões de carbono pela metade.

No primeiro cenário, as previsões apontam para o branqueamento de todos os recifes de corais até o fim do século. O ponto alto e mais severo do branqueamento aconteceria em 2034, nove anos após as estimativas publicadas três anos atrás.

Caso o meio termo fosse alcançado, o efeito arrasador para os corais ocorreria em 2045.

Kadir van Lohuizen/NOOR/ONU Meio Ambiente
Pelo menos 1 bilhão de pessoas no mundo dependem de 25% de todas as espécies marinhas que são apoiadas pelos arrecifes de corais

Evidências científicas

Em caso de falta de ação, os recifes irão desaparecer. A previsão é de Letícia Carvalho, diretora da seção de marinha e água doce do Pnuma. 
Para ela, a humanidade tem de agir com base em evidências científicas, ambição e inovação para mudar a trajetória do ecossistema antes que seja tarde demais.

Um outro fator danoso para os corais são as altas temperaturas dos oceanos. Com o aquecimento das águas, os corais liberam uma fonte de energia de alga tornando-se brancos. Os recifes podem se recuperar do branqueamento se as condições ambientais melhorarem.

Cadeia alimentar

Mas o constante aquecimento das águas pode levar os corais à perda total. Desde 1998, o mundo registrou três eventos assim incluindo um em 2014. 

Caso os corais não possam se recuperar as consequências serão desastrosas para os ecossistemas, a cadeia alimentar, a proteção do litoral, medicamentos e até oportunidades de recreação.

Pelo menos 1 bilhão de pessoas no mundo dependem de 25% de todas as espécies marinhas que são apoiadas pelos recifes de corais.
 

 

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