18 dezembro 2020

ONU quer US$ 254 milhões para apoiar vítimas da violência na província de Cabo Delgado; insegurança no extremo norte deslocou mais de meio milhão de pessoas; total de deslocados subiu cinco vezes desde março. 

A comunidade humanitária precisa de US$ 254 milhões para ajudar cerca de 530 mil pessoas que foram forçadas a abandonar suas casas devido ao conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique.  

As Nações Unidas e parceiros estimam que mais do dobro, ou 1,1 milhão de pessoas, precisam de assistência e proteção urgentes por causa da violência, do conflito e da insegurança na província do extremo norte e em áreas vizinhas em 2021.  

Combates  

Este ano, a crise piorou com ataques de extremistas islâmicos e combates que todos os meses obrigaram dezenas de milhares de pessoas a abandonar as suas casas. O total de deslocados somado aos das províncias de Nampula e Niassa subiu cinco vezes desde março. 

OIM/Matteo Theubet
Grupo de deslocados na capital de Cabo Delgado, Pemba

 

A coordenadora humanitária da ONU para Moçambique disse que as pessoas deixaram suas casas com nada mais do que as roupas do corpo. Myrta Kaulard realçou a perda de seus pertences, meios de subsistência e oportunidades de futuro.  

A representante considera a ajuda humanitária essencial para aliviar o sofrimento de pessoas expostas a graves violações e abusos. A maior preocupação é com as dificuldades de crianças e mulheres. 

Kaulard sublinhou o risco de sequestro, violência de gênero e exploração que meninas e mulheres enfrentam. Já a ameaça aos meninos é de serem assassinados ou recrutados por grupos armados.  

Serviços  

Outro fator de apreensão é o destino dos civis isolados em áreas onde ocorrem atos de violência. O conflito e o deslocamento afetam gravemente a oferta de serviços essenciais, que já estavam sobrecarregados.  

As comunidades anfitriãs precisam de apoio porque mais de 90% dos deslocados vivem com familiares ou amigos que já enfrentavam escassez. 

Foto ONU/Eskinder Debebe
Crianças no Campo de Taratara, em Cabo Delgado

 

Com previsões de inundações na próxima estação chuvosa, as autoridades e a comunidade humanitária atuam para criar novas áreas de assentamento com melhores condições para instalar os deslocados.  

A coordenadora agradeceu a generosidade da comunidade internacional pelo aumento de doações para apoiar as vítimas da crise durante o ano. Mas com o rápido aumento das necessidades alertou para a urgência de mais fundos para a resposta. 

Kaulard pediu à comunidade internacional que também ajude a garantir que os fogem da violência possam ter acesso à ajuda que precisam. 

Entrevista do arquivo:

 

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