Norte da América Central teve continuação ou até piora de violência de gangues
BR

17 dezembro 2020

Estudo de agências da ONU pede mais proteção para pessoas que escapam do problema; taxas subiram mais de 456% entre 2018 e 2019; Mais de 800 mil pessoas de El Salvador, Guatemala e Honduras procuram proteção dentro e fora dos seus países.

Agências das Nações Unidas pediram que os Estados cumpram as obrigações internacionais, assegurando que pessoas forçadas a escapar da violência de gangues no norte da América Central gozem plenamente de seus direitos.

Esta quinta-feira, uma pesquisa identificou ameaças de morte, recrutamento para gangues, extorsão e outras formas de violência como fatores que levam famílias a seguir além-fronteiras buscando segurança.  

© Acnur/Diana Diaz
Uma refugiada que fugiu da violência de gangues várias vezes em Honduras começa novamente em Belize, em janeiro de 2019

Ameaças 

Comunidades em El Salvador, Guatemala e Honduras são as mais afetadas pelo problema, aponta a  pesquisa da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. 

A violência foi a principal razão que levou 20% dos mais de 3.100 entrevistados a migrar em família das suas comunidades. O estudo destaca as variações dessa prática como ameaças de morte, extorsão, recrutamento para gangues e trabalho doméstico. 

Mais de 30% das crianças migrantes desacompanhadas mencionaram algum tipo de violência como razão que as levou a fugir, causando um impacto no acesso delas a serviços essenciais, incluindo ir à escola.

O estudo recomenda que os países priorizem os direitos de pessoas com necessidades específicas de proteção e assegurem o tratamento de crianças e adolescentes deslocados como menores. O apelo é que os interesses do grupo tenham foco na resposta e decisões que os afetam, estejam viajando sozinhos ou com suas famílias.

Unicef México
Crianças estão entre os migrantes da América Central que caminham em direção à fronteira entre o México e os Estados Unidos

Estados Unidos

No ano passado, houve uma alta de 456% no número de famílias apreendidas na fronteira sul dos Estados Unidos. A pesquisa destaca que o aumento foi de quase 77,8 mil em 2018 para mais de 432 mil. 

Para o representante regional do Acnur para a América Central e Cuba, Giovanni Bassu, a mudança na demografia das fugas do norte da América Central reflete uma realidade sombria nos países de origem, onde famílias inteiras estão sob ameaça e fogem juntas para encontrar segurança.

Homens, mulheres e adolescentes são particularmente vulneráveis em comunidades marcadas pela violência extrema, ataques de gangues e atividades criminosas. A violência, especialmente as ameaças de morte associadas ao recrutamento, afetam diretamente crianças e adolescentes. 

Acnur/Marta Martinez
Muitos migrantes fogem da violência de gangues de El Salvador

Serviços nacionais 

Menores relataram vários fatores de pressão, incluindo diferentes tipos de violência e a falta de oportunidades e serviços nacionais. Já os adultos falaram de ameaças de gangues a famílias inteiras, o que levou muitos a deixarem a comunidade com os filhos para não deixá-los em risco.

Para o diretor regional do Unicef para a América Latina e o Caribe muitos fogem para salvar suas vidas ao serem direcionadas por gangues. Jean Gough disse que os criminosos “não deixam nenhum membro da família para trás porque temem retaliações”.

Em tempo de pandemia e após dois furacões na América Central, o aumento da pobreza e da violência provavelmente “tirará mais dessas famílias de suas casas nas próximas semanas e meses”. 

Unicef/Adriana Zehbrauskas
Três jovens, com 13 e 14 anos, nas Honduras, que foram vítimas de assédio.

Drogas 

Mais de 800 mil pessoas de El Salvador, Guatemala e Honduras buscaram proteção em seus países ou cruzaram fronteiras em busca de asilo para escapar de ameaças até o final de 2019.

Aliado à crescente violência e perseguição de gangues mulheres jovens e meninas sofrem violência sexual e de gênero. Outros jovens são explorados para fins criminosos, incluindo tráfico de drogas ou totalmente integrados nos grupos criminosos.

Nesses três países, as  medidas de confinamento e fechamento de fronteiras pela pandemia limitaram as opções de fuga. Mas várias formas de violência e perseguição persistiram ou até pioraram causando deslocamento forçado.
 

 

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