Iraque preocupado com aumento em casos de suicídio, a maioria é de mulheres
BR

14 dezembro 2020

Autoridades de saúde pública dizem que o problema não pode ser mais ignorado; dados são de 2019, quando 590 pessoas morreram desta forma e 1112 tentativas de suicídio foram notificadas, 80% dos casos eram mulheres.

Um alerta sobre o aumento do número de casos de suicídio no Iraque foi feito pelas autoridades do país, na semana passada.

Em comunicado, a Organização Mundial da Saúde, OMS, na região, revelou que nos últimos anos, a situação se agravou e já não pode ser mais ignorada.

Mulheres e crianças recebem tratamento na clínica de Dama, no Iraque. Foto: Ocha/Sylvia Rognvik

Risco

Mais de 590 pessoas se mataram no país e pelo menos 1112 tentaram suicídio somente no ano passado. E um dado preocupante: 80% delas eram mulheres. O número revela uma média de uma morte por dia dessa forma e pelo menos três tentativas diárias.

A OMS lembra que o suicídio é evitável e pode ser prevenido. Para tal, é preciso conhecer as causas do problema e quem está sob risco para ajudar a reduzir a mortalidade.

A agência da ONU reconhece que o suicídio se tornou uma prioridade de saúde pública. Em todo o mundo, mais de 800 mil pessoas perdem a vida desta maneira, por ano. Este número se traduz numa média de uma morte a cada 40 segundos.

Pnud Iraq/Abdullah Dhiaa Al-deen
No Iraque, um voluntário que trabalha para um grupo apoiado pelo Pnud entrega uma sacola de alimentos a uma família vulnerável no distrito de Tawrij, localizada nos arredores de Karbala, Iraque.

Comunidades

A OMS tem atuado com governos para aumentar a conscientização do papel da saúde pública na prevenção do suicídio e de tentativas.

O Programa de Ação de Saúde Mental da agência reúne dados e diretrizes técnicas para melhorar serviços de prevenção e cuidados em países, nas áreas de desordens neurológicas e mentais e uso de substâncias.

A OMS acredita que todos têm um papel no auxílio de comunidades a tratar os fatores de risco de suicídio.
Nos últimos anos, muitas famílias iraquianas sofreram com traumas e problemas mentais por causa de conflitos e severas dificuldades econômicas. Com a Covid-19 e as ordens de confinamento social, essas barreiras ficaram ainda mais graves.

Unami
Rua da capital do Iraque, Bagdá

Pandemia

Especialistas acreditam que a pandemia pode elevar alguns fatores de risco por causa do isolamento, do medo de contágio, desemprego, ansiedade e outros pontos.
O fechamento de serviços de saúde mental, depressão e insônia também são problemas enfrentados pelos agentes de saúde.

No Iraque, assim como em outros países, várias famílias sofrem com abusos de menores, abandono, violência e altas taxas de criminalidade. 

A OMS afirma que a redução dos índices de suicídio está nas mãos de um esforço coletivo e de governos e parceiros que apoiem o trabalho de saúde mental com as comunidades para fazer baixar a quantidade de pessoas com depressão, solidão, estresse e medo. 

A agência sugere ainda uma campanha responsável nas redes sociais especialmente voltada para pessoas com histórico médico de desordens mentais, sobreviventes da Covid-19 e outros.
 

 

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