11 dezembro 2020

Vítimas isoladas no norte da Etiópia passaram quinta semana sem auxílio básico; pelo menos 50 mil refugiados atravessaram a fronteira para o vizinho Sudão; caminhada em busca de maior segurança chega a durar duas semanas. 

O Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, informou que ainda não se sabe a real dimensão da crise humanitária na região de Tigray, no norte da Etiópia. 

Confrontos violentos entre o Exército e forças regionais continuam provocando a fuga de civis. A falta de alimentos e serviços é preocupante, segundo a Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur. 

Acesso Humanitário 

A agência renovou o apelo urgente para que todas as partes no conflito permitam um acesso humanitário “incondicional, irrestrito e seguro” a toda a região que pela quinta semana ficou sem ajuda alimentar, água e energia. 

© Acnur/Ariane Maxiandeau
Abrigos temporários foram construídos no Sudão por refugiados que fugiam de confrontos na região de Tigray, no norte da Etiópia.

 

No leste do Sudão, o país vizinho, a agência já registrou quase 50 mil refugiados etíopes que cruzaram a fronteira para escapar da ação de grupos armados.  

O Acnur precisa de cerca de US$ 147 milhões para financiar ações de auxílio e ajudar o governo do Sudão na assistência médica aos refugiados. Esta semana, o número de recém-chegados chegou a 500 por dia. 

De acordo com os relatos das vítimas, as caminhadas em direção à fronteira podem levar duas semanas. Eles enfrentam riscos como ação de grupos armados e roubos. Muitos têm que se esconder no mato. 

Corte de Serviços 

Um grande fator de preocupação do Acnur é a segurança e as condições dos refugiados eritreus que ficaram isolados pelo conflito. A situação provocou o corte de serviços e suprimentos há mais de um mês.  

© Unicef/Tanya Bindra
Unicef distribuiu suprimentos, mas declarou que ainda não é o suficiente

 

A agência também pediu aos envolvidos nos confrontos que deem maior liberdade de movimento dos civis afetados em busca de assistência, segurança e proteção respeitando e defendendo o direito de atravessar fronteiras internacionais. 

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, realiza a distribuição alimentar para refugiados que cruzam a fronteira e oferece apoio logístico para a criação de acampamentos longe da fronteira. Seis novos centros armazenam assistência humanitária essencial, incluindo comida para 60 mil pessoas por um mês.   

Necessidades 

O PMA já alcançou mais de 48 mil pessoas com alimentos como biscoitos altamente energéticos ou refeições quentes fornecidas perto da fronteira. 

A agência advertiu que o fluxo de recém-chegados vai prejudicar a capacidade de resposta às necessidades no Sudão, país que lida com várias crises. 

O apelo à comunidade internacional é que mostre generosidade. O PMA enfrenta um déficit de US$ 153 milhões para operações em favor dos mais vulneráveis nos próximos seis meses em todo o território sudanês. 

FAO/Filippo Brasesco
Apelo urgente é para que todas as partes no conflito permitam um acesso humanitário

 

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