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Um grupo de pessoas, incluindo crianças, caminha por uma trilha de terra em uma paisagem árida e montanhosa no norte da Etiópia, carregando poucos pertences.

ONU quer acesso humanitário “incondicional, irrestrito e seguro” em Tigray  BR

© AcnurAriane Maxiandeau Cerca de 500 pessoas fugindo dos confrontos na região de Tigray, no norte da Etiópia, atravessam diariamente a fronteira com o Sudão

ONU quer acesso humanitário “incondicional, irrestrito e seguro” em Tigray 

Paz e segurança

Vítimas isoladas no norte da Etiópia passaram quinta semana sem auxílio básico; pelo menos 50 mil refugiados atravessaram a fronteira para o vizinho Sudão; caminhada em busca de maior segurança chega a durar duas semanas. 

O Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, informou que ainda não se sabe a real dimensão da crise humanitária na região de Tigray, no norte da Etiópia. 

Confrontos violentos entre o Exército e forças regionais continuam provocando a fuga de civis. A falta de alimentos e serviços é preocupante, segundo a Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur. 

Acesso Humanitário 

A agência renovou o apelo urgente para que todas as partes no conflito permitam um acesso humanitário “incondicional, irrestrito e seguro” a toda a região que pela quinta semana ficou sem ajuda alimentar, água e energia. 

Refugiados da região de Tigray, na Etiópia, montaram abrigos temporários na passagem de fronteira de Hamdayet, no Sudão.
Abrigos temporários foram construídos no Sudão por refugiados que fugiam de confrontos na região de Tigray, no norte da Etiópia. Voos da Unhas deverão facilitar a entrada e saída do pessoal humanitário 

 

No leste do Sudão, o país vizinho, a agência já registrou quase 50 mil refugiados etíopes que cruzaram a fronteira para escapar da ação de grupos armados.  

O Acnur precisa de cerca de US$ 147 milhões para financiar ações de auxílio e ajudar o governo do Sudão na assistência médica aos refugiados. Esta semana, o número de recém-chegados chegou a 500 por dia. 

De acordo com os relatos das vítimas, as caminhadas em direção à fronteira podem levar duas semanas. Eles enfrentam riscos como ação de grupos armados e roubos. Muitos têm que se esconder no mato. 

Corte de Serviços 

Um grande fator de preocupação do Acnur é a segurança e as condições dos refugiados eritreus que ficaram isolados pelo conflito. A situação provocou o corte de serviços e suprimentos há mais de um mês.  

Uma menina de suéter verde e saia amarela está parada na entrada de uma casa de barro com porta de madeira azul na cidade de Alamata, região de Tigray, Etiópia.
© Unicef/Tanya Bindra Unicef distribuiu suprimentos, mas declarou que ainda não é o suficiente

 

A agência também pediu aos envolvidos nos confrontos que deem maior liberdade de movimento dos civis afetados em busca de assistência, segurança e proteção respeitando e defendendo o direito de atravessar fronteiras internacionais. 

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, realiza a distribuição alimentar para refugiados que cruzam a fronteira e oferece apoio logístico para a criação de acampamentos longe da fronteira. Seis novos centros armazenam assistência humanitária essencial, incluindo comida para 60 mil pessoas por um mês.   

Necessidades 

O PMA já alcançou mais de 48 mil pessoas com alimentos como biscoitos altamente energéticos ou refeições quentes fornecidas perto da fronteira. 

A agência advertiu que o fluxo de recém-chegados vai prejudicar a capacidade de resposta às necessidades no Sudão, país que lida com várias crises. 

O apelo à comunidade internacional é que mostre generosidade. O PMA enfrenta um déficit de US$ 153 milhões para operações em favor dos mais vulneráveis nos próximos seis meses em todo o território sudanês. 

Cactos figo-da-índia em uma paisagem seca e montanhosa sob um céu azul.
FAO/Filippo Brasesco Apelo urgente é para que todas as partes no conflito permitam um acesso humanitário